O saco do fim da sacolinha é ter de aguentar a cara da minha vizinha. Ecológica. Toda hora em que ela me encontra no elevador. Vamos salvar o planeta. Meu amor. A mesma criatura que leva o cachorro à rua. Vestido de casaco de náilon. A tiracolo. Para fazer cocô.
O saco do fim da sacolinha é ver a bolsa verde que querem que eu compre. Leve para casa. Ridícula. O Dia dizendo que cuida da natureza. Ele que vende linguiça embalada. Americana. Paga uma miséria para a caixa que mora pertinho da Represa Guarapiranga.
O saco do fim da sacolinha é acharem que o serviço está feito e a consciência limpa. Sujeira pequena não precisa empacotar. Ora. Joga-se para debaixo do tapete da cozinha. O meio ambiente agradece a sua forcinha.
O saco do fim da sacolinha é eu não ter mais onde atirar meus papéis fora. Romances. Contos que eu escrevo no calor da hora. Merda que me vem à cabeça. Como agora. Mais este poeminha.
Que saco!
