Valter Hugo Mãe, o escritor angolano, sensação da FLIP do ano passado, é meu amigo de longa data.
Sabendo eu que ele estaria de passagem por São Paulo, pedi, encarecidamente, que ele desse uma passada no b_arco, onde coordeno uma oficina de criação literária.
E ele passou (veja foto, clicada por Gabriel Pinheiro).
A conversa foi rica, bem-humorada, contundente.
Ele falou de sua obra, novo livro, linguagem, contou de sua rotina, cidade natal, de como anda a vida da poeta Adília Lopes, amiga dele, etc. e tal.
Entre tantas histórias, uma ficou especialmente em minha memória. Perguntado, pela platéia, quando é que ele sentia que um romance estava terminado, quando era a hora do ponto final.
Mãe comparou esse instante ao final de uma festa. Digamos: você vai ao aniversário de um amigo. A comemoração está quente, vibrante, nem dá vontade de ir embora. Mas a hora chega em que todos já estão de saída. Mas você insiste. Quer ficar mais um pouco, mesmo sabendo que a festa está no fim.
Acaba que você é o último sair. A festa não mais existe. Mas os restos dela ali: alguns amigos dormem, caídos de bêbado. Você, sem ter mais o que fazer, começa a ajudar a recolher os copos, a lavar a louça, a limpar os cinzeiros.
O mesmo acontece quando chega a hora do ponto final. Um livro, segundo o Mãe, nos diz, sim, quando a alegria e o entusiasmo acabaram. Se a gente insiste em continuar a culpa é nossa. Só nos sobrarão os restos, o trabalho pesado, os resquícios do que foi, de fato, a grande festa.
Enfim…
Guardarei essa lição. E, sobretudo, o gesto do Valter Hugo de ter ido lá ao b_arco. Isso, é claro, só foi possível idem graças ao apoio do próprio b_arco, da Livraria da Vila e da Cosac Naify. Agradeço a todos e aproveito para avisar que daqui a pouco, a partir das 18h30, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, tem o lançamento oficial do romance O Filho de Mil Homens, antecedido por um bate-papo com o querido autor.
No mais, vamos que vamos. E fui. E vou.
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