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A Edith está toda feliz. Colocou mais três filhos na praça.

Na quarta agora, dia 16, o escritor potiguar Thiago Barbalho lançará, no bar Sabiá, o terceiro volume da Coleção Que Viagem.

Thiago foi para o Fundo do Poço e nos contará a aventura (primeira imagem).

Antes, na segunda-feira agora, o poeta, escritor e jornalista Ademir Assunção lançará, na Mercearia São Pedro, o livro de poesias A Voz do Ventríloquo (veja segunda imagem)

Na terça-feira, o mesmo livro será lançado na Estação Caneca.

E, na semana passada, em Porto Alegre, quem fez o maior sucesso foi a Cínthya Verri.

Ela lançou seu primeiro livro, de poesias, em grande estilo, intitulado Constantina.

Para saber mais sobre o livro de Cínthya, clique aqui em cima.

Sobre os outros dois livros, também acesse aqui.

No mais, seguimos em contato e sucesso para nós todos e bom final de semana.

E viva a Edith e fui. Sem ir.

E aquele superabraço.

Quem resgata memória é historiador, sociólogo, arqueólogo. Escritor sequestra. Diz assim para a memória: e aí, vai confessar ou não vai? Pressiona, encosta contra a parede. Conta, pô, agora ou nunca. Não deixa para depois. Vasculha, denuncia, desnuda. Entrega todo mundo. Sem piedade. A literatura violenta nossas lembranças, adentra fundo, cobra na fuça, sem delongas. Não é fácil. Não é piegas. Essa coisa de trazer à tona a história da família, não é nada disto. Quem escreve não quer saber de família. Eis que escancara a tia, o tio. Não respeita o pai. Renega a mãe. Os grandes livros pregam peça, jogam à merda o passado, o presente, o futuro. Repito: a literatura em vez de resgatar, sequestra. Põe a memória para recordar à força. À forca. Desembucha, porra! Não adianta adiar. A memória é má. Moléstia. Escrever é rever. Mesmo sem querer olhar. Em resumo. Lembre-se sempre: a memória é feita daquilo que a gente não quer lembrar.

Valter Hugo Mãe, o escritor angolano, sensação da FLIP do ano passado, é meu amigo de longa data.

Sabendo eu que ele estaria de passagem por São Paulo, pedi, encarecidamente, que ele desse uma passada no b_arco, onde coordeno uma oficina de criação literária.

E ele passou (veja foto, clicada por Gabriel Pinheiro).

A conversa foi rica, bem-humorada, contundente.

Ele falou de sua obra, novo livro, linguagem, contou de sua rotina, cidade natal, de como anda a vida da poeta Adília Lopes, amiga dele, etc. e tal.

Entre tantas histórias, uma ficou especialmente em minha memória. Perguntado, pela platéia, quando é que ele sentia que um romance estava terminado, quando era a hora do ponto final.

Mãe comparou esse instante ao final de uma festa. Digamos: você vai ao aniversário de um amigo. A comemoração está quente, vibrante, nem dá vontade de ir embora. Mas a hora chega em que todos já estão de saída. Mas você insiste. Quer ficar mais um pouco, mesmo sabendo que a festa está no fim.

Acaba que você é o último sair. A festa não mais existe. Mas os restos dela ali: alguns amigos dormem, caídos de bêbado. Você, sem ter mais o que fazer, começa a ajudar a recolher os copos, a lavar a louça, a limpar os cinzeiros.

O mesmo acontece quando chega a hora do ponto final. Um livro, segundo o Mãe, nos diz, sim, quando a alegria e o entusiasmo acabaram. Se a gente insiste em continuar a culpa é nossa. Só nos sobrarão os restos, o trabalho pesado, os resquícios do que foi, de fato, a grande festa.

Enfim…

Guardarei essa lição. E, sobretudo, o gesto do Valter Hugo de ter ido lá ao b_arco. Isso, é claro, só foi possível idem graças ao apoio do próprio b_arco, da Livraria da Vila e da Cosac Naify. Agradeço a todos e aproveito para avisar que daqui a pouco, a partir das 18h30, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, tem o lançamento oficial do romance O Filho de Mil Homens, antecedido por um bate-papo com o querido autor.

No mais, vamos que vamos. E fui. E vou.

Temos de voltar a Bogotá. Avisou o piloto. Já com 20 minutos de voo. Uma das asas sem bater. Explico: o computador da aeronave da TAM falhou. E o comandante teve de nos levar de volta ao aeroporto. Na noite da terça passada. Tremelicamos. O silêncio que se faz antes da morte. Logo eu, tão feliz que fui. Na feira do livro de lá. A mesa, ao lado do Ronaldo Correia de Brito, foi inesquecível. E poderia ter sido a minha última aparição pública. Na pista, nos esperavam bombeiros e ambulâncias. O caso foi grave. Pensei: nem fiz meu testamento. Dos contos que deixarei. Ao vento. Melhor que voltemos ao Brasil no outro dia. Disse-nos a companhia. A TAM pagará o hotel. E pagou. Mas imaginem só. Quase duas centenas de pessoas arrastando as pesadas malas. Tendo de entrar no país mais uma vez. Na recepção do hotel, a agonia para cada um pegar a chave do quarto. Ave! Sem contar a fome apertando nossos cintos. Meu Cristo! Nunca passei tamanho sufoco. Repito: não seria justo morrer depois de uma estada tão porreta em Bogotá. Foram lá no debate nos ver os escritores da foto, da esquerda para a direita, a saber: Íos Fernández, os antigos amigos Alonso Sánchez Baute e Efraim Medina Reyes (que me cercam, num abraço) e, ao final, ao lado do Ronaldo, o escritor que fez a dulcíssima mediação de nosso papo, Carlos Castillo Cardona. Emocionante foi esse encontro. Essa viagem. Juro. Fiz novos amigos, reencontrei outros corações pulsando. Aliás, o incidente acabou deixando próximos passageiros que passariam em trânsito. Cada um para seu destino. Por exemplo: na foto abaixo, duas amizades feitas no ar. Comigo, dividindo o medo, estavam a jovem arqueóloga gaúcha Jéssica e o descendente de alemão, com cara de bogotano, Hugo. Sem contar outros rostos que ficarão marcados. Em meu juízo. Nessa aventura com final feliz. Nada mais justo, minha alma é quem diz. Porque quero, um dia, voltar a Bogotá. Cidade cheia de gente bonita. De comida farta e bendita. De alma tão rica. Que tem tudo para nos salvar. E nos salvou. Salve, salve, amém e saravá!

Estive em Bogotá pela primeira vez no ano de 2003.

Fui para um encontro de novos narradores da América Latina e da Espanha.

Foi lá que conheci os queridos amigos escritores Alonso Sanchez e Efraim Medina Reyes.

Esses dois eu já trouxe para a Balada Literária que criei e organizo.

Só falta trazer o peruano Mário Vargas Llosa. Rarará. Ele, esse que está ao meu lado, em foto (perdão pela qualidade da imagem) exatamente tirada nessa minha ida a Bogotá. Alonso é o moreno no cantinho direito.

Adorei a capital da Colômbia.

Voltarei neste domingo para participar da Feira Internacional do Livro de Bogotá. Para saber mais sobre o evento, acesse aqui.

Antes, amanhã, sábado, passo pela FestiPoa, onde, às 18h30, estarei em mesa ao lado dos queridos Fabiana Cozza e Paulo Lins.

Eta danado!

De ambos lugares, mandarei notícias via blog e via Twitter.

Fique ligado.

Até já e beijabraços, salve, salve, amém, saravá!

Fui.

Escritor não escreve. Escritor inscreve. Sempre digo. É ele quem funda uma cidade, cria um castelo, levanta ruas. Faz nascer pessoas, mata outras. Escritor constrói, perpetua. Inaugura conventos, escolas, velórios. Escritor aprofunda planos. Arquitetura. Quem escreve não é o escritor. Repito, repito. É o país que ele inventa que acaba empregando verbos. Inventando versos. Quem conduz as linhas da história são os personagens. São eles que vão fundo na linguagem. Seguem além. As almas que o escritor põe no mundo são elas que falam. Amém. São elas que pontuam. As casas criadas pelo escritor abrem parágrafos. Fecham vocábulos. Você entende, meu caro? Sinta, repare. Quando o escritor aparece escrevendo a gente sente. Aí está o problema. O autor manipulando frases. Sem pudor. Colocando brilho onde não foi chamado. Eta danado! Eu vivo dizendo. A quem quiser ouvir. Escreva aí: escritor não escreve. Escritor inscreve. É ele quem instaura. É ele quem carrega. O mundo nas costas, sempre. A primeira pedra.

Dizer que a Camila está mais Pitanga, que a atriz (foto ao lado) está mais selvagem do que nunca, é não enxergar a verdade, cruenta e nua: Camila está mais humana.

Explico: falo da interpretação dela no Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios. Filme dirigido por Beto Brant e Renato Ciasca e baseado em romance homônimo do Marçal Aquino.

Acabei de assistir. E gostei porque a câmera do Beto e Ciasca é menos Xingu. Opa. Antes de qualquer confusão, aviso que não. A história não se passa no Xingu. No perfume da mata. Nas reluzentes correntes. Nada disso.

O livro do Marçal, assim como a adaptação para o cinema, vai mais fundo. Mostra as beiradas da nossa nação, à margem da civilização. Ferida paisagem. Tudo numa fotografia enferrujada, alaranjada de dor. Os índios, além de Belém, minha flor, não se olham em espelhos d’água.

A viagem é outra: interior do interior. Matadores de aluguel. Troncos derrubados. Coração em carne. Ave nossa! Foi cruel e bom de ver: a Lavínia, recriada por Camila, endoidecer. Assim como a nossa pátria quando perde o chão. Minha irmã, meu irmão. No cu do mundo, só no amor há salvação.

Penso: que a qualidade do filme está no “pior” que vemos. Veja: não digo com isso que seja pessimista a imagem que se abre na tela à nossa vista. São apenas essas as notícias trazidas. Ora essa. De tão distante. De um país feliz e infeliz, à sua medida. Verdadeiro e pulsante. 

A direção de Beto Brant e Renato Ciasca não aparece em cena. Não há grandiloquência. Nem falsa exuberância. Daí a grandeza deste trabalho. Cheio de alma. Ela, nesse caso, de nome Camila Pitanga. No ponto. Lindamente madura.

Tão necessária, e tão nociva, quanto a boa literatura.

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