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Archive for março \31\UTC 2011

HOMEM DE TEATRO

No teatro aprendi a ser homem.

E há quem diga que seja coisa de viado.

Então eu quis essa “coisa de viado” – e me dei bem.

Ser hétero é fácil.

Aos 9 anos de idade, no Recife, pisei no palco. Participei de festivais, vários. Com as peças amadoras e os primeiros textos que escrevi. Sempre guiado pela atriz Ilza Cavalcanti. Dessas luzes que aparecem em nossa estrada, cariada.

O teatro põe alma no nosso corpo.

Porra! Na foto acima, estou eu com 16 para 17 anos (ao lado da amiga, hoje jornalista, Ana Lúcia Lins). 

Saudades!

O teatro melhorou minha fala, meu diálogo com o mundo. Deu-me peso, peito, respeito. Noção de amizade e responsabilidade.

Até hoje, quando escrevo um conto, estou pensando em uma cena, em uma luz. Na comunicação com o público/leitor.

Mas por que é que estou falando isto agora, pô?

Talvez porque logo mais à noite estarei em um debate, na UNESP da Barra Funda, ao lado do dramaturgo Luiz Alberto de Abreu.

Ou porque ainda hoje eu tenho ensaio. Isto mesmo. Ensaio do espetáculo “Mataram o Salva-Vidas”, em que voltarei como ator, dirigido por Antonio Vanfill e Leandro Goddinho.

Depois darei mais detalhes.

Muita merda para nós todos, desde já.

E evoé e ave!

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CANAVIAL DAS PAIXÕES

Puta merda! Aí o cara escreve assim: “um turbilhão de sentimentos”. E desse “turbilhão” – que ele diz que sente -, covardemente não é capaz de confessar um sentimento só. Unzinho sequer.

Vejo muita gente abusando desses excessos tsunâmicos. Relatando, à la Roberto Carlos: “são muitas alegrias e emoções”. Eu, como leitor, só quero uma pequenininha. Uma alegria miudinha já me basta. Uma emoção que me toque, oh, particularmente.

Escrever é sempre “particularmente”.

Mas não. O cara não aprende, não apreende. Segue escrevendo – em contos, romances, poemas. Algo do tipo: “milhões de pensamentos passaram pela minha cabeça”.

Pensamento só pode passar pela cabeça. Se passar pela virilha, pode dar boa literatura.

Sem contar que nunca vi usarem tanto “pensamento” em texto. Pensou, pensava. E pensar que é bom não pensam. Nem pesam. Os parágrafos vão ficando cada vez mais cheios, carregados de tudo.

Ninguém vai ao abismo com tantos apetrechos.

Caralho!

Lembrei-me disto quando, ontem, Suzana Serecé me falou que adorava ver a antiga novela “Canavial das Paixões”, do SBT.

Logo Suzana, pernambucana.

Perguntei se deste canavial ela conseguiu tirar algum bagacinho.

Qualquer melaço, qualquer caldinho, mulher.

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TRÊS MESTRES

Para começar, dois mestres.

O de barba, Jamil Snege.

Ouvi o nome dele, de passagem, na Folha de S. Paulo de sábado passado.

Assim, cogitado para ser relançado – e redescoberto – pela coleção Má Companhia, da Companhia das Letras. 

Snege era um gênio. Autor, entre outros, da novela “Viver É Prejudical à Saúde”.

O outro, na foto, é outra portentosa figura: Valêncio Xavier. Este, já publicado pela Companhia. Por que não relançá-lo idem na Má Companhia?

Joca Reiners Terron, bem sei, tem com ele um inédito do Valêncio, que iria sair pela extinta editora do Joca, a Ciência do Acidente.

Aguardemos e oremos.

Essa foto eu mesmo tirei em uma viagem que fiz a Curitiba. Jamil e Valêncio me mostraram a Boca Maldita. Lugar em que os escritores curitibanos se reuniam. Ambos me contaram casos hilários do grande – e não menos genial – Dalton Trevisan.

Inclusive, a foto abaixo eu tirei na mesma viagem. É a casa onde vive, até hoje, o nosso Vampiro de Curitiba. Já estive com ele duas vezes, via fax. Já cheguei à sua porta, mas não bati, não entrei, não amolei.

Porém, já troquei umas palavras com o Trevisan. Ele participou da antologia “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século”, que organizei em 2004. De uma outra vez, o convidei para um especial da Revista Playboy.

Acompanho, sempre, os livros do Dalton. Exemplo eterno de ousadia e estilo. Presentes também nos saudosos Jamil e Valêncio.

Tempo, tempo, tempo.

Às vezes penso que estou ficando velho.

Você ri, Suzana?

É sério.

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PASSEANDO COM DRUMMOND

Hoje pela manhã, no meu microescritório, li para Suzana Serecé alguns apontamentos feitos por Drummond em seu livro “Passeios na Ilha”, de 1952.

Depois relemos, juntos, alguns poemas de “A Rosa do Povo”. Que livro absurdamente fantástico.

Mas vamos às algumas impagáveis anotações do poeta, abaixo:

(1) Romance: arte de destelhar casas sem que os transeuntes percebam.

(2) Eleito por 29 votos, numa revista, o maior poeta vivo do Brasil. O Brasil tem quarenta milhões de habitantes.

(3) Impressionante a sabedoria de suas vírgulas. É incapaz de misturar duas tolices na mesma frase.

(4) Escritor: não somente certa maneira especial de ver as coisas, senão também impossibilidade de vê-las de outra maneira qualquer.

(5) Como escreve bem! Sua língua, de tão perfeita, chega a aborrecer. Procura sempre a palavra mais cintilante. Eu, a mais pobre.

(6) Com o moço que nos visita sobraçando um maço de papéis datilografados entra-nos em casa, fatalmente, um inimigo.

(7) Economia nas dedicatórias. Sempre haverá tempo para enfeitá-las, e todo ele será escasso para corrigi-las.

(8) É menor pecado elogiar um mau livro, sem lê-lo, do que depois de o haver lido. Por isso, agradeço imediatamente depois de receber o volume. Não há vida literária plenamente virtuosa.

(9) O convívio das letras de ordinário não cria amigos, mas cúmplices.

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VOLTANDO AO SARAU

Essa, da foto,  foi a gloriosa noite em que levei o meu amigo e conterrâneo Lirinha para o Sarau da Cooperifa.

Faz uns dois anos, creio.

De camisa branca, o amigo e poeta Sérgio Vaz.

De vermelha, o poeta idem Paulo Kauim.

Pois bem: daqui a pouquinho, 19 horas, no SESC Carmo, nos reencontraremos – eu, Lirinha e Vaz.

Para recitar alguns textos, soltar alguns verbos, versos.

Apareçam. É grátis.

E hoje é só isto.

Que a sexta pede cerveja.

Aquelabraço.

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UM NOVO CONTISTA

Adorei a nova capa do livro de Santiago Nazarian.

Seu primeiro de contos, o “Pornofantasma”, a ser lançado por essas datas (Editora Record).

Sempre autor de romances até agora, etc.

Já li a maioria dos contos, em primeira mão – bem bons. Esse poder de fabulação que o Santiago tem, invejo.

Grande narrador de meninos entediados, jacarés, zumbis, fantasmas, cobras.

Essa daí da capa, ele mesmo quem procurou. Santiago tem isso – gosta de pensar nas imagens do seu livro. Acompanha tudo. A letra à mão do título, por exemplo, é dele.

Quero ver ainda o que aprontará na orelha. Sempre, nas orelhas, aparece ele, numa foto inusitada. Sangrando, cuspindo.

Hoje, o amigo retorna para São Paulo, depois de uma temporada em Floripa.

Saudades, cabra!

E coquetéis de lichia à vista.

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ABALANDO NA BALADA

– Gostei da maquiagem, é.

Suzana Serecé, vocês bem sabem, é maquiadora profissional.

– Eu bem podia ajudar nesta parte, na maquiagem, se ela viesse mesmo, é, para a Balada Literária.

Lutarei por isto.

Estamos falando, eu e Suzana, da atriz e escritora belga Vanessa Van Durme (foto).

Ela nasceu homem. Fez operação para mudar de sexo. É um dos grandes nomes do teatro alemão.

Eu quero trazer o espetáculo todo, me alvoroço. Chama-se “Gardênia” o espetáculo. Não precisaremos de tradutores. Em cena, travestis veteranos. Transsexuais, atores. Cantando, dançando. Ora alegres, ora melancólicos.

Fiquei impressionado com os vídeos que vi no YouTube – a dica foi de Henry Thorau, recente amigo e professor e tradutor em Berlim. Marcelo Carneiro da Cunha quem me apresentou (este, sempre me abrindo os olhos para o mundo, oh!).

– É dez, é dez.

Gasguita-se Suzana, entusiasmada. E me lembra de que tem, aqui no Brasil, o show “Divinas Divas”. Aliás, eu assisti ao show no Teatro Rival. Leandra Leal me convidou. Ela está fazendo um documentário sobre os travestis daqui, da antiga.

Quero misturar as tribos todas, entende? Abalando na mesma Balada. Autores e personagens. Ave!

O legal da Balada é isto, modéstia à parte. Todos na mesma festa. A mistura de parágrafos. Valendo o papo, valendo a arte, valendo a pluma, valendo a pena.

Aliás: a FLIP convocará ou não convocará Zé Celso Martinez Correa para a homenagem ao Oswald de Andrade?

Fico de bico calado.

– Rogéria poderia ser convidada, é, não é?

– Para a FLIP?

– Não, ué, para a Balada.

– Por que não?

Aguardemos as próximas rodadas.

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