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Archive for abril \29\UTC 2011

O DONO DOS OSSOS

Este amigo meu aí de azul é mais do que um amigo.

É um irmão de longa data.

O nome dele é Jobalo.

Artista plástico fodido de bom.

Vive há 14 anos em Milão, na Itália.

Em 2006, fui visitá-lo.

Juntos, passeamos por várias cidades.

Uma delas, Veneza – a da primeira foto.

Também demos uma passadinha em Vicencia, ali perto.

Para visitar o amigo e escritor colombiano Efraim Medina Reyes.

Na segunda foto, Efraim ao lado da mulher, Marta.

Efraim, grande figura!

Autor, entre outros, de “Técnicas de Masturbação entre Batman e Robin”.

Mas por que estou falando isto?

Porque Jobalo veio me visitar.

Acabou de chegar a Sampa.

E é preciso reforçar.

Quem acompanha o meu trabalho, bem sabe a importância de Jobalo.

Por exemplo: é dele o título deste blog.

Foi ele quem batizou o meu “eraOdito”.

Também é dele o nome “Angu de Sangue”.

Isto porque Jobalo é poeta dos bons.

Mas nunca publicou.

Participamos, no Recife, de um grupo de poesia juntos.

Do qual fazia parte idem a querida Adrienne Myrtes.

Nunca perdemos o contato artístico.

No próprio “Angu”, são de Jobalo as imagens do livro.

Para conhecer mais sobre o trabalho dele, acessem aqui.

No mais, outra foto, aí em cima: sou eu em Veneza, entre máscaras.

Rarará. Bem ao estilo recifense e é isto.

Por hoje é só e aquelabraço.

Deixa eu ir ali tomar umas com o meu grande amigo.

Fui.

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DOENTINHOS

 – Que coisinha linda que é!

Berra Suzana Serecé. Carregando minha fota na mão.

– Quanto anos é que você tinha, aqui?

Nove.

Foi novinho assim, com carinha de menininha, que descobri a poesia de Manuel Bandeira.

Conto sempre, quando me perguntam sobre influências.

A partir da poesia do Bandeira é que eu quis ser poeta.

E tuberculoso.

– E é? Ave, vôte!

Verdade, juro a você, Suzana.

Bandeira me doutrinou a ser doente.

Fraquinho. 

– É, amarelinho manga.

Agora Suzana Serecé está falando do poeta recifense.

Ele, bem jovem na foto ao lado.

E tísico.

É sobre a poesia do Bandeira e tosses outras de que eu irei falar.

Amanhã, sexta, às 19h30, no Centro Cultural São Paulo.

Na palestra intitulada “O Menino que Queria Ser Tuberculoso”.

Suzana, entusiasmada, cospe na minha foto, enxuga meu rosto, me chama de gostosinho.

– Pois é.

Naquele alvoroço.

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ENFORQUE-SE JÁ

Hilária e impiedosa a entrevista que li de Hemingway (foto).

Como ele era rabujento!

Falo da conversa dele reproduzida no livro As Entrevistas da Paris Review.

Livro publicado pela Companhia das Letras – já falei deste lançamento aqui.

Bem, olhem só a resposta que o autor de O Velho e o Mar deu à pergunta abaixo.

Anotem essa na memória. E, é claro, aproveitem para ler a obra deste grande mestre e avante e bora embora.

ENTREVISTADOR: Que exercício intelectual o senhor consideraria o melhor para o aspirante a escritor?

HEMINGWAY: Digamos que ele deva enforcar-se, por descobrir que escrever bem é difícil a ponto de ser impossível. Então ele deve ser retirado da forca impiedosamente, e forçado por si próprio a escrever o melhor que possa para o resto de sua vida. Pelo menos terá, como ponto de partida, a história do enforcamento.

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CARPINEJANDO

Assim como o querido poeta Carpinejar, eu me aventuro – sem o mesmo talento do amigo – em algumas confabulações, máximas, mínimas, instantâneas microfilosofias. Seguem algumas, que eu anoto sempre em um caderninho, abaixo:

[1]
Acordar é um suicídio.

[2]
O cu é a porta do inferno.

[3]
Deus só quer ser.

[4]
O silêncio é uma cobra.

[5]
A memória é uma ponte no abismo.

[6]
O problema da poesia é a poesia.

[7]
O diabo vive na igreja.

[8]
O futuro perde muito tempo.

[9]
O cego segue a própria sombra.

[10]
O olho do gato é uma lição de moral.

[11]
Árvore é uma alma empalhada.

[12]
Todo fantasma fuma.

[13]
A palavra mora onde você se esconde.

[14]
Pobre não acorda, ressuscita.

[15]
Por que parar para pensar
se eu posso pensar andando?

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A MÃE NA LITERATURA

Ai, o que minha mãe vai dizer? Meu Deus, o que ela vai pensar? Ou: minha mãe acha essa poesia minha tão fofinha e bonitinha! E por aí vai: a sombra da mãe nos parágrafos, o medo que se tem da família na hora de se escrever e publicar.

Eu sempre falo, em entrevista, da importância da fala da minha mãe em meus contos, rimas, gingas. Mas nunca que eu fui procurar, antecipadamente, saber dela se tal frase deveria entrar, se meus contos, por acaso, estavam muito munhecosos, escatológicos. Neca. Que nada! A minha mãe gostava da festa, dos lançamentos, de ver o filho crescer. “Feito gente”, dizia ela, orgulhosa e contente.

Percebo, não é de hoje: o que mais alguns estreantes temem é azedar o doce lar. Com que cara eu vou ficar? Será que minha tia, por exemplo, vai imaginar que, por causa daquele meu texto, sacaninha, eu estou dando, de fato, a minha bundinha?

Ora, ora. Trato de acalmar a criatura: deita a cabeça no meu ombro, meu amor. É tudo ficção, pois não. É tudo literatura.

Esse dilema, muitas vezes, aparece logo na assinatura da obra. Argumentam: ah, se eu ponho o sobrenome do meu pai, minha mãe vai ficar uma fera. Só o sobrenome da minha mãe, acabou minha mesada, já era.

Meu Cristo! Por isso, é bem comum, ver escritores por aí com nomes quilométricos. Como se um livro tivesse que passar, antes, pelo SERASA ou por um cartório. Calma, calma, calma. Muita calma nesta hora.

Adorei, sobre essas e outras, o que disse o escritor norte-americano William Faulkner, no livro As Entrevistas da Paris Review, recém-lançado pela Companhia das Letras. Fodido de bom.

A saber: “A única responsabilidade do artista é para com sua arte. Ele será completamente implacável se for bom. Ele tem um sonho. Que o angustia tanto que ele precisa se livrar dele. Ele não tem paz até que isso aconteça. Vai tudo por água abaixo: honra, orgulho, decência, segurança, felicidade, tudo, para se ter o livro escrito. Se um artista tiver que roubar a mãe, não hesitará; a Ode a uma Urna Grega [do poeta inglês John Keats] vale mais do que qualquer quantidade de velhas senhoras”.

Rarará.

Por falar nisto, saudades eternas da minha velha querida. Já pedi a ela perdão pelos assaltos que fiz. Juro que pedi, Suzana.

Ave Maria!

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SOBRE O COELHO

Não, não falarei do coelho da Páscoa.

Falarei do Marcelo Coelho, escritor e articulista da Folha de S. Paulo (ele é logo o da direita, em foto rara, ao lado de Santiago Nazarian, durante o lançamento da antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, em 2004). 

Marcelo Coelho está passando um mês na Universidade da Califórnia, como escritor residente.

Causou-me espanto, de repente, ter visto no blog do Coelho um estudo recente e apurado – e relativamente longo – do meu livro Contos Negreiros, saído em 2005.

Ele esmiuça minha linguagem, meus personagens, minha fala, aponta inverossimilhanças, cacoetes, recursos vários, manobras outras. Em um texto cuidadoso, raro de ser ler por aí. Uma análise, confesso, que deixaria qualquer escritor lisonjeado. E me deixou.

Porque é desse diálogo que eu gosto, dessa troca de ideias, parafusos, parágrafos. Não concordo com boa parte das questões apontadas por ele. Faltou, por exemplo, entender, a uma certa hora, que eu sou escritor de livro de literatura, não de livro de História.

Coelho, em resposta a e-mail enviado por mim (e que ele postou idem no seu blog), agradeceu a minha tolerância ao que chamou de suas “implicâncias”. E aproveitou para me informar que a sua leitura tardia de meu livro deve-se ao fato, exatamente, de ele estar na Universidade da Califórnia, onde o Contos Negreiros, disse ele, “está sendo longamente estudado”. E, de forma divertida, me revelou: “os alunos parecem que reagiram de forma dividida aos meus comentários, uma vez que seu livro faz muito sucesso aqui”.

E por aí vai. Repito: gostei da conversa. Gostei de saber que um escritor e um jornalista tão sério como o Marcelo Coelho passou um tempo debruçado sobre meu trabalho – o que acabou rendendo valiosos questionamentos para ambas as partes.

Viva e ave!

Para ler a análise do Coelho e trecho de minha resposta e coisas mais, etc. e tais, acessem aqui.

E, por fim, boa Páscoa, bom feriado, até segunda que vem e aquelabraço e beijos na bunda.

Fui.

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EU E JEAN GENET

Suzana Serecé tem um primo na prisão.

No presídio Aníbal Bruno, no Recife.

Depois da demolição do Carandiru, é o maior do Brasil.

Dá para imaginar o tamanhão do problema, a precariedade do sistema, não?

– Fiquei tão orgulhosa quando vi seu nome lá, é, no pátio.

Suzana disse que gritou para os detentos.

– Eu conheço este escritor, é, conheço.

Faz tempo.

Meu nome batiza a sala de leitura do Aníbal Bruno (vejam fotos).

Os próprios presos que escolheram, por meio de uma ONG, algo assim.

Teria de ser um nome de um autor pernambucano contemporâneo.

– Meu primo falou que o mais entusiasmado com você era um travesti, é, foi.

Talvez por causa de alguns contos meus, gays, não sei.

Senti-me Jean Genet.

Estou programando uma visita ao Aníbal Bruno ainda este ano.

– Procure lá, é, pelo meu primo, Marcelino.

Procurarei. E gritarei, para todo mundo ouvir: sou amigo de Suzana Insana.

Com certeza, mulher, entrarei em cana.

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