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Archive for abril \13\+00:00 2011

RESPEITEM AS TIAS

Tia Nelson de Oliveira organizou duas antologias da Geração 90. Faz tempo. Mas, sobre elas, os caras ainda conversam as mesmas coisas, balelas. Por meio das antologias que Tia Nelson fez, muita gente conheceu, pela primeira vez, o trabalho de Altair Martins, de Amílcar Bettega, Cíntia Moscovich, entre outros. Tia Nelson de Oliveira já publicou vários livros, romances. É um cara sério. A Tia Nelson merece respeito. Essas antologias, até hoje, são estudadas em várias universidades do país e do exterior. Tia Nelson já está preparando a antologia “Zero Zero”. Tia Nelson não para. Tia Nelson é gente boa, pô.

Tia Joca Reiners Terron foi quem criou a editora Ciência do Acidente. Publicou Glauco Mattoso, Valêncio Xavier, Manoel Carlos Karam. Tia Joca escreve artigos na Folha, divulga, como ninguém, a obra de latinoamericanos. Escreveu contos, romances, poesias. Hoje mesmo, tem lançamento, na Livraria da Vila da Fradique, da série Má Companhia, saída pela Companhia das Letras, em que várias obras esgotadas serão relançadas. Foi sugestão da Tia Joca. Logo mais à noite, autografam outras duas queridas tias: Reinaldo Moraes e Marçal Aquino.

A Tia Marçal, por sinal, já tem anos na estrada. Romances, contos, filmes. Tia Marçal trabalha pra caralho! Sem contar que foi quem primeiro falou sobre novos escritores como Daniel Galera. Tia Marçal ressuscita também autores como Maura Lopes Cançado, Vander Pirolli. Tia Marçal é superrespeitado aqui e lá fora. Não cola mais essa história de dizer que Tia Marçal é cria do Rubem Fonseca. Quanta ignorância, quanta besteira!

Digo de quando outras tias se reúnem, numa conversa, para falar mal da literatura contemporânea brasileira, dizer que nada de novo acontece. Tias velhas, essas sim, que batem na mesma tecla. Exageram na crítica – e não na autocrítica – elas. Dizem que somos um grupinho que só vive rasgando elogios mútuos, que formamos uma espécie de quadrilha, de gangue de madrinhas. O que fazem, então, sentadas no IMS? Foi no caderno Ilustríssima, da Folha, que li, atrasado, nota sobre este encontro. Aliás, o caderno Ilustríssima, a revista Serrote, a revista Piauí são a mesma coisa – têm o mesmo elenco de amigos – ou é caduquice desta tia que vos fala?

Esta tia que vos fala, Tia Marcelino Freire, perdão, é muito exagerada, precipitada, vai ver não foi nada disto que conversaram as tias Beatriz Rezende, Alcir Pécora, Paulo Roberto Pires. Tia Marcelino está ficando aluada, porque corre muito para viver de literatura, coordena oficinas, participa do coletivo Edith, organiza, sem dinheiro, há seis anos, em São Paulo, a Balada. Tia Marcelino não conta. Ela fala muito. Está sempre viajando. Interessada, por exemplo, na verdadeira revolução literária que está acontecendo na periferia paulistana, como o Sarau da Cooperifa, coordenado, faz uma década, pela Tia Sérgio Vaz – e que as tias, encasteladas, com certeza, nunca ouviram falar.

Enfim, sobrinhos e sobrinhas. Para acompanhar vocês mesmos a conversa que rolou, acessem aqui. E, se quiserem, apareçam hoje à noite nos lançamentos que, depois da Livraria da Vila, acontecerão na Mercearia São Pedro. Onde as tias amigas que eu citei acima – e outras tias da literatura brasileira – sempre se encontram para uma birita. Para tornar a vida literária menos chata, menos careta. E, sobretudo, mais divertida.

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LIVRAR-SE

– E se você bater as botas, é, para onde vão os seus livros?

Eu não tenho muitos assim. Mas Suzana insiste, enquanto espana as traças, os ácaros.

– Vai vender para um sebo, é, doar para alguma biblioteca?

Ainda não fiz meu inventário – o das traças, o dos ácaros.

Tenho algumas raridades, sim, garimpadas por aí.

Essa conversa entre mim e Suzana, hoje pela manhã, me fez reler a matéria que saiu na Folha de S. Paulo no sábado passado. A que dizia do destino dado aos livros do escritor Valêncio Xavier.

A família livrou-se deles.

O Estado também.

Tudo foi parar pelos sebos da cidade. Ave!

Ah, por quê? Agora é que as autoridades vêm com este nhenhenhém.

– Será que o governo de Pernambuco vai querer, é, esses seus livros?

Suzana Insana tem cada pergunta! Sem noção. Mas voltemos ao Xavier.

Olhem ele aqui ao lado, agachado em uma rua de Curitiba.

Essa foto eu tirei faz tempo, naquela mesma época em que fotografei ele e o escritor Jamil Snege, lembram?

Valêncio me levou para conhecer o centro. E, em um certo momento, paralisou. Hipnotizado pelas páginas no chão.

Imediatamente registrei essa paixão.

Era dali, dos livros esquecidos, atirados quase na sarjeta, que Valêncio buscava inspiração.

Estava ali a pulsação dos seus escritos inventivos.

As colagens que fazia.

As reciclagens de sua linguagem.

Valêncio me levou à sua casa. Relembro: livros tomando a cozinha, quartinhos, banheiros, os cantos dos armários.

Dicionários, revistas, enciclopédias, gibis centenários.

Agora, tudo de volta ao esquecimento.

Aqueles livros que Valêncio recolheu.

E acolheu, em silêncio.

Nesta terceira foto, dá para ver: a concentração.

O toque no mistério.

Àquela mesma manhã, Valêncio carregou, no seu Fusca, desenhos e figuras. Uma pilha de imagens para casa. Pesquisava, me dizia, a Santa Inquisição.

– É melhor você pensar sobre isto, é.

Repete Suzana, na maior afobação.

– É, vão tocar fogo em tudo, é, quando você morrer.

Não adianta explicar para Suzana. Eu não tenho tanta coisa assim. Sim, pode vender.

Ou então, querida, fica tudo para você.

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IMITANDO A IVANA

Na sexta-feira passada eu, Manu Maltez e Suzana Serecé fomos convidados para um jantar.

Maravilhoso!

Na casa da família Mutarelli.

Lourenço é o careca da foto. A seu lado, Lucimar (Lu), a mulher.

Depois dela, o Manu. E aí eu, de branco.

No canto, Francisco, filho do casal.

Tirando a foto, a Suzana, que não gosta de aparecer – comeu feito uma jumenta!

À mesa, uma salada de entrada e um nhoque fenomenal, feito pelo Lourenço, com a ajuda, aqui e ali, da Lu. Sim, o querido amigo, autor de “O Cheiro do Ralo”, aprendeu a receita histórica com o pai. Bebemos um pouco antes, na cozinha, enquanto ele lutava para resgatar do panelão as bolinhas de nhoque.

Imitando, aqui, o blog da querida Ivana Arruda Leite – que apresenta sempre, passo a passo, os pratos que come -, segue, abaixo, a receita do Nhoque do Mutarelli. Olha a minha cara de satisfação e ave!

– 5 batatas médias cozidas em água e sal;

– 1 ovo;

– Sal;

– 1 xicará (chá) de farinha de trigo;

Passe as batatas pelo espremedor e coloque num recipiente. Adicione o ovo, o sal e a farinha de trigo. Amasse até obter uma massa homogênea que não grude nas mãos. Polvilhe as mãos com farinha de trigo e forme as bolinhas. Leve uma panela ao fogo e vá cozinhando pequenas porções. Coloque num refratário, depois coloque molho de tomate e polvilhe queijo ralado. Forno pré-aquecido 15 minutos. Sirva quente.

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O MASSACRE DE REALENGO

Acabo de receber do querido amigo Glauco Mattoso um soneto (o de número 4.141) em que ele nos fala do massacre acontecido no Rio. Puta que pariu! O poeta sempre vem nos trazer palavras no momento em que elas nos faltam. Grande Glauco! Confira o soneto abaixo.

COMMUNICADO À COMMUNIDADE

Abril/2011 – No dia do attemptado na eschola carioca,
GM dedicou ao
occorrido o seguinte soneto:

O MASSACRE DE REALENGO [soneto #4141]

“Massacre” se chamou “da Candelaria”.
Chamou-se de “massacre” o “de Vigario
Geral”. Mas comparar? Ha quem compare o
que occorre em Realengo, em faixa etaria?

Qualquer outra tragedia é secundaria,
embora jamais haja um justo horario
que a Morte nos reserve e seja vario
o caso em cada agencia funeraria.

Creanças, quando victimas, são serio
motivo à reflexão, pois illusorio
se torna o Amor christão num cemiterio.

Um louco… Um attemptado… Caso chore o
Pae pelo Filho e a crença recupere o
espirito da gente, é o Céu inglorio?

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ESCREVER É ERRAR BEM

Aí José Castello falou uma coisa lá no b_arco. Oficina literária não ensina ninguém a escrever bem. Ensina a errar bem. Oficina é lugar de risco. Por isso, sempre digo: esqueçam a gramática. Há quem coloque todos os pronomes no lugar. Algo como “procurei-os, levei-os, emburaquei-os, embucetei-os”. E haja “os” para cá, para acolá. E o livro de literatura fica parecendo um livro de português. Outra, a saber: as conjunções. Verifiquei: a inútil “pois” é campeã. “Pois, pois, pois, pois”. Porra! Isso quando não vêm umas “contudo, todavia, ao passo que”. Inferno! Errar, repito. Eis o exemplo, fiquem atentos, colhido ontem em Castello. Abaixo as certezas! Aliás (outra praga esse “aliás”, não?), como se tem certeza na literatura brasileira! Frases assim: “tinha a certeza de que”, “na certeza de que”, “certo de que”. Caralho! Vamos jogar uma bomba no nosso conto. É isto. Aconselho a experiência: quando o conto, o poema, o romance, a crônica estiverem indo muito bem, nos conformes higiênicos de nossa língua, atenção: é hora de atirar uma bomba, jogar um querosene na linguagem, nas frases, nos pontos. Entendem? Sei que estou errado. Mas, enfim. É só meu jeito de colocar minhas mãos à obra. De preferência, sujas, ora.

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VIVA O MÉXICO!

Hoje acordei cedinho.

Tinha de estar na Cidade do México ao meio-dia.

Enfrentei o trânsito.

Ufa!

Cheguei a tempo.

Na casa do amigo Monteiro.

Digo: do também escritor Luís Rafael Monteiro.

Ele quem me emprestou o computador veloz e ultramoderno.

A palestra aconteceu via Skype, aqui em São Paulo mesmo.

Ave!

Nesta primeira foto, eis que leio, a pedido dos professores e da turma de alunos da Universidade Nacional do México, um dos contos do “RASIF”.

Meus personagens estão sendo estudados por lá. E traduzidos.

Nesta segunda foto dá para ver a professora Valquíria Wey (de azul) e o professor Sérgio.

Conversamos sobre a oralidade em meus textos, a prosa que está sendo feita no Brasil, a violência aqui e no México, etc.

E o que mais ouvi: “como suas palavras parecem saídas daqui, de nossa cidade, um tipo de voz e revolta e musicalidade, digamos, que também invadem as nossas ruas”.

O que falar depois disto?

Eta e beleza!

Aqui, nesta terceira foto, leio outro conto meu.

E, em seguida, me despeço.

Com a esperança de que esses intercâmbios se estreitem.

Novas Baladas Literárias
à vista, quem sabe?

Segundo eles, hoje eu inaugurei uma série de videoconferências que a universidade mexicana quer fazer com os escritores de cá.

Maravilha!

Agradeço ao amigo Monteiro, que me acolheu em sua casa. E a todos que, nesta manhã, me receberam calorosamente no México.

Deixo um abraço, em especial, ao professor Armando Escobar, que é quem primeiro abriu, por lá, as portas para os meus parágrafos – e idem ao professor Carlos Márquez que, ao lado do Escobar, têm traduzido minhas palavras.

E é isto e viva e saravá!

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PARAFUSOS NO CHÃO

– Ai, meu juízo, é, meu juízo, Jesus!

Suzana gritou, com o livro na mão, espanando as páginas. A boca aberta, esguelada.

– Amoooooooo Clarice Lispector, é, pois é, desde sua Macabéa.

Suzana fala do romance “A Hora da Estrela”.

– Macabéa sou eu, é, de alguma forma, eu, é.

Por isso quase teve um troço quando se deparou, na minha estante, com o livro “Água Viva” (reprodução ao lado).

Trata-se da primeira edição, saída pela editora Artenova, em 1973.

– Ó, Meu Deus, olha a letrinha dela, é, tremida, torta, tão bonitinha, é.

A edição está autografada.

E o que é mais louco: oferecida ao escritor mineiro Campos de Carvalho.

– Não conheço Campos, é, não sei, não lembro, não conheço, conheço?

É o autor, entre outros, de clássicos como “A Lua Vem da Ásia” e “O Púcaro Búlgaro”.

– Ele também era uma entidade, é, era, me diz, infeliz.

Ora, basta ver a dedicatória (à esquerda): “A Campos de Carvalho – que teve a delicadeza de apanhar no chão um parafuso, Clarice Lispector”.

E a data: “Rio, 25 de abril 1974”.

Ave! Desta vez sou eu quem grita. E tremelico só de imaginar essa junção. De duas grandes almas da nossa literatura. Monstros sagrados.

– É muito emocionante, é, é, sim.

Beija a obra, lambe. Nunca pensei que Suzana amasse tanto Clarice.

Tenho certeza de que amará Campos. Como eu amo.

Parafusados agora os quatro, insanos.

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ENTERRANDO TUDO

Suzana Serecé está me enchendo o saco. Diz que eu sou preguiçoso, que estou muito novo para estar cansado.

Isso porque saiu matéria, ontem, no Jornal do Commercio do Recife. Em que dou uma entrevista sobre meu novo livro e falo, por lá, de um cansaço que me deu, fodeu.

– É só você parar de correr um pouco, é, de ir atrás de quem não te quer.

Doida essa Suzana. Repito: insana. Nada a ver.

Peço para ela fazer um chá de camomila. Ela recomenda um de cogumelos.

Abaixo, alguns trechos da minha conversa, no JC, com o jornalista Schnneider Carpegianne.

[1] Eu quero o que-eu-não-sei-o-que-é. Sendo assim, o meu novo livro de contos, que se chama “Amar É Crime”, sai em edição quase “caseira” e isto me revigora – o livro será publicado pela Edith (visiteedith.com). 

[2] Será, como o título me sugere, um livro de bolso, à la Sabrina, à la Júlia. Vai estar, além de livrarias, em bancas de revista, vai ser vendido via site, etc.

[3] No fundo, me bateu um cansaço geral no ano passado, eu lhe confesso. Falo daquela discussão de quem ganhou ou não o Jabuti. Em um ano em que a gente perdeu o Wilson Bueno, o Roberto Piva, o Alberto Guzik, o Glauco (desenhista), o meio literário estava discutindo outras perdas e ganhos.

[4] Fui ficando amargurado. Aí bati o martelo, em minh’alma: no meu novo livro, eu quero respirar de tudo isto. Ficar em paz comigo.

[5] Ah! O tema do livro? Amor e morte. Ou seria “suicídio”?

[6] Meu novo livro traz contos longos, para o meu padrão – tem um até de 8 páginas. Inclusive, no livro chamo os contos de “novelinhas” ou “pequenos romances”.

[7] Eu sinto que eu estou alogando o meu fôlego. Estou ficando velho, creio. E quanto mais velho o escritor fica, parece que mais oxigênio ele ganha.

[8] Nelson de Oliveira é o traficante da literatura brasileira contemporânea (falando, aqui, em relação às antologias que ele organiza e aos autores que, com elas, ele divulga).

[9] Aliás, preste atenção nos novos autores da EDITH. São geniais. Reanote: visiteedith.com

[10] Notou que estou enterrando tudo? (aqui, falando do fim do eraOdito e a criação deste novo blog). Isso, creio, tem a ver com a morte da minha mãe (ano passado). Sem ela, toda festa ficou triste.

[11]  “Amar É Crime”, a sair em julho, traz muito este temperamento: matar para amar de novo. Sei lá. Só vendo para crer. E reviver.

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O VENENO MILAGROSO

Raimundo Carrero foi quem me ensinou a ler e a escrever.

– E por que é que você ainda não aprendeu?

Provoca Suzana Serecé.

Rarará.

Mas que ele é o culpado, isso ele é.

Já falei em entrevistas por aí, diversas vezes.

Eu fiz sua primeira oficina literária, ainda no Recife.

Carrero me ensinou as entrelinhas de Flaubert, Graciliano.

Deu-me aperreios. Digo: Carrero é passional. Aquele seu jeito nada solene de se postar diante do livro. Vexaminosos parágrafos. Paixão sem limite.

Esta semana, falei com ele ao telefone. “Marcelino, está tudo em cima”. Entusiasmado com o novo romance, intitulado “Seria uma Sombria Noite Secreta”, que já vem por aí. E com a escola de criação literária que ele vai inaugurar em agosto, no Recife.

Isto, depois de o cabra ter enfrentado uma cirurgia na garganta, um infarto, um AVC. Segue se safando por causa do seu ofício.

Um dia eu cheguei a dizer, na Folha de S. Paulo: Carrero faz da literatura o seu veneno milagroso.

Quando crescer, eu quero ser assim feito ele.

– E esta foto, onde é que é?

Estamos os dois em um encontro em Arcoverde, durante a Jornada Literária dos Sertões, promovida pelo SESC.

E é isto.

Só para falar para você, Suzana, nesta sexta, de meu mestre e amigo – e, em sua homenagem, sair para beber umas cervejas.

– Ué, eu também vou.

Beleza!

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