Feeds:
Posts
Comentários

Archive for maio \16\+00:00 2011

NAVECAGAR É PRECISO

Ontem, no domingo, estava eu aí, mirando do alto o jockey de São Paulo.

E, principalmente, o Rio Pinheiros.

Explico: fui convidado para ministrar uma minioficina literária.

Isto dentro da Expedição Rio Pinheiros Vivo.

Propus aos participantes que imaginassem o que cada um encontraria no rio se, um dia, o rio secasse.

Foi hilário.

Em quatro horas, fizemos uma antologia temática. E, posso dizer, a qualidade estava bem boa. Já a das águas do Rio Pinheiros, eta porra!

Na foto (clicado pelo amigo Felipe Valério), eu mesmo estou escrevendo algumas microcrônicas, digamos.

Confiram minha inspiração abaixo. E, para conferir os textos que foram feitos (e o que rolou em toda a expedição), acessem aqui.

E vamos que vamos. E aquelabraço.

MINHAS MICROCRÔNICAS
(tendo como inspiração/respiração
o Rio Pinheiros):

(1)
Navecagar é preciso.

(2)
O rio só toma banho
quando chove.

(3)
O Mar Morto começa aqui.

(4)
O rio pede socorro,
olha para o céu e nada.

(5)
Cagam mas não limpam.

(6)
É o céu cinza
que mija preto.

Read Full Post »

13 DE MAIO

Enquanto Zumbi trabalha cortando cana na zona da mata pernambucana Olorô-Quê vende carne de segunda a segunda ninguém vive aqui com a bunda preta pra cima tá me ouvindo bem?

Enquanto a gente dança no bico da garrafinha Odé trabalha de segurança pega ladrão que não respeita quem ganha o pão que o Tição amassou honestamente enquanto Obatalá faz serviço pra muita gente que não levanta um saco de cimento tá me ouvindo bem?

Enquanto Olorum trabalha como cobrador de ônibus naquele transe infernal de trânsito Ossonhe sonha com um novo amor pra ganhar um passe ou dois na praça turbulenta do Pelô fazer sexo oral anal seja lá com quem for tá me ouvindo bem?

Enquanto Rainha Quelé limpa fossa de banheiro Sambongo bungo na lama e isso parece que dá grana porque o povo se junta e aplaude Sambongo na merda pulando de cima da ponte tá me ouvindo bem?

Hein seu branco safado?

Ninguém aqui é escravo de ninguém.

[ “Trabalhadores do Brasil”,
canto meu extraído do livro

“Contos Negreiros” – Record,
publicado no ano de 2005]

Read Full Post »

COM QUE ROUPA EU VOU?

Confesso que estou em dúvida.

Vestido florido, chapéu, cachecol?

Sapatos da Vovó Donald?

Tia, me ajuda.

Suzana Serecé, socorro!

O bate-papo sobre a relevância (ou não) da literatura brasileira contemporânea acontecerá na próxima quarta, 19h30,
na Biblioteca Popular de Botofago, no Rio.

Estaremos lá eu, Miguel Conde, do jornal O Globo, e o jornalista e escritor Sérgio Rodrigues.

Ave nossa!

A conversa promete mete. E a dúvida continua no meu juízo.

Com qual conjuntinho, Meu Cristo?

Ah, melhor pegar meu blazer básico no armário. Porque daqui a pouquinho, na Livraria da Vila da Lorena, acontecerá o lançamento do livro de contos Pornofantasma, de Santiago Nazarian.

Sem contar que é aniversário idem do Santiago. E ficamos, nós dois, de tomar um chá.

Beijão para todos, da tia velha aqui, Mãe Celina, e té já.

Read Full Post »

MÃE DE CRIAÇÃO

Este texto chega com atraso.

Era para ter sido escrito ontem.

Porque foi ontem que a Bebel saiu em reportagem na Folha de S. Paulo.

Falando sobre a pouca vocação dela para maternidade.

Não quer ter filhos.

E vendo a Bebel no jornal, pensei e recordei.

O quanto ela nos adotou – nós, escritores da nova geração.

Sempre presente e contente.

Em festas, rodas e, aí em cima, clicada durante lançamento da revista PS:SP.

Revista de prosa, em número único, que eu e Nelson de Oliveira lançamos em 2003.

Nesta segunda foto, eu e ela um ano antes, em 2002.

Quando do lançamento da Coleção 5 Minutinhos.

Bebel sempre colocou a mão na massa.

Em vários de nossos eventos.

Na Balada Literária, por exemplo.

Foi ela quem acompanhou e encantou a poeta Adélia Prado.

Enfim, assado.

Tantos momentos.

Este pôste é para dizer que a menina cresceu – ela, que conheci assim que conheci a mãe dela, Ivana Arruda Leite.

E, sobretudo, para agradecer a força que ela sempre nos deu.

Valeu, querida, valeu!

Read Full Post »

SENTE SÓ

Na literatura, tudo é solidão. A gente já está sozinho na hora de escrever. Não precisa dizer. Gritar pelos cotovelos. Frases assim: sentia-se sozinho. Estou só. Melhor não apelar. Putz-grila! Mas há quem insista. Neste sentimento. Coitado! Como sangro calado. E é mesmo? Quanta dó! Haja sofrimento. Na falta do que fazer, andei contabilizando. Em muitos textos que leio, o verbo sentir é o que mais aparece. Para uma visita. Eu sinto, ele sentia, eu sinto, ele sentia, eu sinto, ele sentia. Como se, na escrita, tudo não fosse mesmo assim: a partir do que se sente. Do que se vê. Da dor que dói para valer. Não carece escorrer. Uma lágrima. Molhar a página. Porra! Para com isto. Agora. Tem calma. Mostra apenas o personagem. Desenha o ambiente. A poeira da casa. O coração da pessoa. Vai fundo. E profundo, que é melhor. O resto a gente é capaz de sentir. Numa boa. Ave! Por hoje é só.

Read Full Post »

EU, CACIQUE

Já fui cacique um dia. Chefe da tribo.

A história é hilária.

Aconteceu no ano de 2003, na Jornada Literária de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Fui lá participar. Falar para mais de cinco mil pessoas. No outro dia, centenas de leitores querendo o meu autógrafo, beijo, abraço. Um sucesso. Estava me sentindo o dono do pedaço. Aí um fotógrafo me abordou. Nosso jornal quer é uma foto sua. Ali, por favor, apontou, me posicionou, tendo como fundo o céu azul. E ele dizia: “faça cara de bravo”. E eu fazia. Um astro enfurecido, um escritor finalmente reconhecido.

Aí o jornal sai no outro dia. Uma foto grande minha. Identificado como: Cacique Jurandir Xavante. Isso mesmo: fui confundido com o chefe da tribo. Com o Jurandir, que também estava em Passo Fundo. Dizia a matéria: “Jurandir incentiva os índios a ler o homem branco”. E eu lá, na fotona. Com a minha cara pálida.

Na foto postada aqui, dá para ver o jornal em minha mão. E fiz questão, quando encontrei o Jurandir, de fazer este registro histórico. Eu ao lado do meu sósia. Mais um. Eta danado! Uma hora, me confundem com pegador de cobra. Noutra, com um grande guerreiro. Prometo que um dia eu chego lá.

Por falar nisto, aproveito para avisar que estou de saída para Porto Alegre. Amanhã e domingo, participo de mais uma edição da FestiPoa. No sábado, por volta das 23 horas, estarei na Casa de Teatro ao lado do Altair Martins, Lu Thomé, Reginaldo Pujol e Xico Sá. No domingo, 16h30, na Palavraria, terei uma mesa com os queridos Botika e Everton Behenck.

Ah! E em agosto deste ano, voltarei a participar da Jornada Literária de Passo Fundo. Desta vez, prometo levar o meu cocar. Rarará. Abração, bom final de semana para todos. E valeu e fui e saravá!

Read Full Post »

EU E A COBRA

– Virgem Nossa Senhora, que cobra é essa?

Abisma-se Suzana.

Quer saber sobre ela, quando foi, onde era, etc.

– Em viagem minha ao Pantanal.

Quando fui visitar o poeta Manoel de Barros.

– É uma sucuri, é, não é?

Seguro a mentira.

– É.

Mas não sou eu, é claro, na foto ao lado.

É um apresentador do SBT chamado Richard.

Ou você também caiu na farsa?

Mas o que faz ele aqui, ué?

É porque eu tenho sido cada vez mais confundido, principalmente no Nordeste, com o cara aí que segura a cobra.

Em Salvador, me param na rua. No Recife, volta-se para conferir o taxista.

Essa confusão, inclusive, rendeu um conto, que estará no meu próximo livro, Amar É Crime.

Suzana quer saber mais:

– E jacaré, você pegou também, é?

Só cobra, por enquanto, rio e digo.

– Por que você acha, ora, que o meu blog se chama “Ossos do Ofídio”?

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »

%d blogueiros gostam disto: