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Archive for maio \11\+00:00 2011

MÃE DE CRIAÇÃO

Este texto chega com atraso.

Era para ter sido escrito ontem.

Porque foi ontem que a Bebel saiu em reportagem na Folha de S. Paulo.

Falando sobre a pouca vocação dela para maternidade.

Não quer ter filhos.

E vendo a Bebel no jornal, pensei e recordei.

O quanto ela nos adotou – nós, escritores da nova geração.

Sempre presente e contente.

Em festas, rodas e, aí em cima, clicada durante lançamento da revista PS:SP.

Revista de prosa, em número único, que eu e Nelson de Oliveira lançamos em 2003.

Nesta segunda foto, eu e ela um ano antes, em 2002.

Quando do lançamento da Coleção 5 Minutinhos.

Bebel sempre colocou a mão na massa.

Em vários de nossos eventos.

Na Balada Literária, por exemplo.

Foi ela quem acompanhou e encantou a poeta Adélia Prado.

Enfim, assado.

Tantos momentos.

Este pôste é para dizer que a menina cresceu – ela, que conheci assim que conheci a mãe dela, Ivana Arruda Leite.

E, sobretudo, para agradecer a força que ela sempre nos deu.

Valeu, querida, valeu!

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SENTE SÓ

Na literatura, tudo é solidão. A gente já está sozinho na hora de escrever. Não precisa dizer. Gritar pelos cotovelos. Frases assim: sentia-se sozinho. Estou só. Melhor não apelar. Putz-grila! Mas há quem insista. Neste sentimento. Coitado! Como sangro calado. E é mesmo? Quanta dó! Haja sofrimento. Na falta do que fazer, andei contabilizando. Em muitos textos que leio, o verbo sentir é o que mais aparece. Para uma visita. Eu sinto, ele sentia, eu sinto, ele sentia, eu sinto, ele sentia. Como se, na escrita, tudo não fosse mesmo assim: a partir do que se sente. Do que se vê. Da dor que dói para valer. Não carece escorrer. Uma lágrima. Molhar a página. Porra! Para com isto. Agora. Tem calma. Mostra apenas o personagem. Desenha o ambiente. A poeira da casa. O coração da pessoa. Vai fundo. E profundo, que é melhor. O resto a gente é capaz de sentir. Numa boa. Ave! Por hoje é só.

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EU, CACIQUE

Já fui cacique um dia. Chefe da tribo.

A história é hilária.

Aconteceu no ano de 2003, na Jornada Literária de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Fui lá participar. Falar para mais de cinco mil pessoas. No outro dia, centenas de leitores querendo o meu autógrafo, beijo, abraço. Um sucesso. Estava me sentindo o dono do pedaço. Aí um fotógrafo me abordou. Nosso jornal quer é uma foto sua. Ali, por favor, apontou, me posicionou, tendo como fundo o céu azul. E ele dizia: “faça cara de bravo”. E eu fazia. Um astro enfurecido, um escritor finalmente reconhecido.

Aí o jornal sai no outro dia. Uma foto grande minha. Identificado como: Cacique Jurandir Xavante. Isso mesmo: fui confundido com o chefe da tribo. Com o Jurandir, que também estava em Passo Fundo. Dizia a matéria: “Jurandir incentiva os índios a ler o homem branco”. E eu lá, na fotona. Com a minha cara pálida.

Na foto postada aqui, dá para ver o jornal em minha mão. E fiz questão, quando encontrei o Jurandir, de fazer este registro histórico. Eu ao lado do meu sósia. Mais um. Eta danado! Uma hora, me confundem com pegador de cobra. Noutra, com um grande guerreiro. Prometo que um dia eu chego lá.

Por falar nisto, aproveito para avisar que estou de saída para Porto Alegre. Amanhã e domingo, participo de mais uma edição da FestiPoa. No sábado, por volta das 23 horas, estarei na Casa de Teatro ao lado do Altair Martins, Lu Thomé, Reginaldo Pujol e Xico Sá. No domingo, 16h30, na Palavraria, terei uma mesa com os queridos Botika e Everton Behenck.

Ah! E em agosto deste ano, voltarei a participar da Jornada Literária de Passo Fundo. Desta vez, prometo levar o meu cocar. Rarará. Abração, bom final de semana para todos. E valeu e fui e saravá!

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EU E A COBRA

– Virgem Nossa Senhora, que cobra é essa?

Abisma-se Suzana.

Quer saber sobre ela, quando foi, onde era, etc.

– Em viagem minha ao Pantanal.

Quando fui visitar o poeta Manoel de Barros.

– É uma sucuri, é, não é?

Seguro a mentira.

– É.

Mas não sou eu, é claro, na foto ao lado.

É um apresentador do SBT chamado Richard.

Ou você também caiu na farsa?

Mas o que faz ele aqui, ué?

É porque eu tenho sido cada vez mais confundido, principalmente no Nordeste, com o cara aí que segura a cobra.

Em Salvador, me param na rua. No Recife, volta-se para conferir o taxista.

Essa confusão, inclusive, rendeu um conto, que estará no meu próximo livro, Amar É Crime.

Suzana quer saber mais:

– E jacaré, você pegou também, é?

Só cobra, por enquanto, rio e digo.

– Por que você acha, ora, que o meu blog se chama “Ossos do Ofídio”?

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MICROCIUDAD

Existe uma revista na Espanha chamada Zona de Obras. A cada edição, eles produzem um dossiê de uma capital latinoamericana. A do próximo número será São Paulo. Fui um dos convidados para o especial, etc. e tal. Resolvi, pois, enviar algumas das minhas microcrônicas paulistanas. Vejam como ficaram cinco delas, abaixo, traduzidas por Joana Rei. Quando a revista sair, aviso. E aquelabraço.

[1]
São Paulo duerme, sí.
Pero es sonámbula.

[2]
Las palomas aquí son ratas
que subieron de puesto.

[3]
Él dice que ama São Paulo.
Pero sólo quiere sexo.

[4]
Antiguamente, el mayor desfile gay
que existía era el desfile militar.

[5]
Todo el mundo está aquí
pero nadie se ve.

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MOMENTOS DE SABEDORIA

Neste momento, penso. Como o “neste momento” aparece na literatura. Ave nossa! Por exemplo: “Neste momento, o telefone tocou”. Porra! Claro que foi naquele momento, não foi em outro. O telefone não tocou no ano de 3.500. Será que tocou na pré-história? Pô! E haja momento a todo momento: “neste exato momento”, “no momento em que”, “pensou por um momento”. Isso quando não usam o “de repente”. Já falei sobre essa praga, aqui. A saber idem: “De repente, o telefone tocou”. Por acaso você marcou hora para o telefone tocar? Só pode ser “de repente”. Tudo é “de repente” na literatura. De repente, você dobra a esquina e encontra um cadáver. Ou, de repente, um pente. E ainda: sempre aparece nos textos “naquela tarde”. E ensolarada. Argh! E mais: “naquela noite”. Vôte! Eu gostaria de saber qual noite é “naquela noite”. Por que tudo aconteceu “naquela noite”? Deve ter sido essa, de fato, uma noite especial, etc. e tal. Meu Cristo! Estou aqui, confabulando, quando (outra merda a proliferação do “quando” – quando eu tiver tempo, eu digo sobre ele) a campainha toca. Deve ser o destino, neste momento, batendo à minha porta. Abro? Não abro? É a Suzana Serecé. Vejo pelo olho mágico. Já vai, já vai. Um momentinho só, mulher.

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CORRENDO RISCOS

Posso dizer que fiquei tocado. Até emocionado neste sábado, juro. Lendo o caderno Prosa & Verso, de O Globo. Um texto de José Castello e um outro de Giovanna Dealtry.

Comentavam ambos a polêmica das tias – aquela discussão no Instituto Moreira Salles entre Alcir Pécora, Beatriz Rezende e Paulo Roberto Pires.

Ufa! Sei que o assunto está saturado. Eu mesmo não tenho mais saco. Mas foi bom ver e ouvir alguém da crítica e da academia. Neste caso, tão lúcidos e tão pouco pedestalosos. Ave e viva!

Não quero me estender. Esmiuçar o que fez eu me sentir respeitado – como um dos escritores contemporâneos que, a duras batalhas, ainda estão construindo um trabalho, etc. e tal.

Creio que esse sentimento me veio, sobretudo, porque lembrei do crítico João Alexandre Barbosa, morto em 2006 – aqui, em uma das raras fotos que tirei com ele.

Sim, é preciso dizer.

Um crítico, sim, me lançou para a literatura. Foi João Alexandre quem primeiro falou de meus contos por aí. Dizia ele: a boa crítica é aquela que corre riscos. E ele correu. Ao ler meus textos, me indicou para publicação na Ateliê Editorial. Escreveu o prefácio do Angu de Sangue. Publicou esse prefácio na Revista Cult. Mais adiante, foi ele também quem apresentou a antologia da Geração 90.

João Alexandre era generoso. E esperançoso. Também foi quem, em primeira mão, escreveu sobre autores como Rubem Fonseca e João Antônio. Teve uma importância fundamental na trajetória, por exemplo, de críticos como Manuel da Costa Pinto.

Uma figura cada vez mais rara. De quem guardo profunda gratidão. E grande saudade. É isto e ave! Hoje, estou em silêncio. Lembrando das conversas luminosas que tivemos. Ele me contando de João Cabral, Cortázar, Machado. Enfim… Melancolia braba.

Amanhã eu volto com mais palavras.

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