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Archive for junho \29\UTC 2011

VÁ SE LIGANDO

Noto, não é de hoje, o uso repetitivo, insistente de alguns verbos. Digo: fracos. Digo: verbos que aprendemos no primário. No secundário, não sei. Os pentelhos agarram no pé do nosso parágrafo. E não largam mais. Ai, ai. Quais? Eis: os verbos de ligação. A saber: ser, estar, parecer, permanecer, ficar, continuar e andar. Pode notar. Deles, é claro, o verbo “ser” ganha disparado.  Tudo é, tudo foi, tudo será. Até entendo. Na verdade, não compreendo, sobretudo, quando esses verbos aparecem em conjunto. Em tropa, em bando. Como se só eles dominassem o romance, o conto. Estava, está, estava, está. Permanecia calado, permanecia na sala, parmanecia imóvel. E o “andar”? Sempre tem alguém andando, “lentamente”, argh, atravessando para algum lugar. É de se preocupar. Ando cismado. Outro que quer aparecer demais é o “parecer”. Parece feliz, parece infeliz. E eu com isso? Meu Cristo! Continuo um chato. É que fui pesquisar. O verbo de ligação é aquele que, digamos, junta o sujeito às suas características. E decoramos, faz tempo, essa espécie de elo. Rápido e viciado. Exatamente quando estávamos construindo nossas primeiras frases. Ave! Putz grila! Que preguiça! Repito: como se não houvesse infinitos verbos à nossa disposição. E o silêncio, então? O verbo não precisa ficar falando, se soltando o tempo todo. Verbo bom é verbo que se finge de morto. Discreto. Assim: quase adormecido. O que é que eu quis dizer com isto? Nem eu sei. Melhor ficar por aqui. Aliás, melhor me desligar. Frio bom para dormir esse… E para esquecer de acordar. Aquelabração e fui e té já.

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WALMOR E BEATRIZ

Hoje, lá no twitter, Thiago Nogueira me fez relembrar da interpretação antológica que o ator Walmor Chagas deu para o meu conto Belinha, do livro Angu de Sangue. Foi ao ar na TV Cultura, na série Contos da Meia-Noite. Na mesma série, a atriz Beatriz Segall (sim, a Odete Roitman) interpretou o meu Muribeca, do mesmo livro – mas esse ainda não foi parar no YouTube. Enfim, assado. Assistam, por enquanto, ao Walmor e, algum dia, posto aqui a Beatriz e aquelabraço.

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O EXEMPLO DO CAMELO

– A crítica, é, diz assim: para você deixar de trocadilhos.

Mas essa crítica saiu quando eu lancei, no ano 2000, o Angu de Sangue.

Suzana Serecé está arrumando os meus jornais, periódicos, revistas, reportagens.

– E essa crítica diz aqui, é, ó: para você abandonar os cacoetes sonoros.

Mas, Suzana, querida, você está enganada. Essa escreveram quando, em 2003, eu lancei o BaléRalé.

– É mesmo, é. Mas veja, escute: pedem para você jogar fora as frases de efeito.

Ave nossa! Que confusão! Suzana, presta atenção: sobre isto a crítica falou quando eu publiquei, em 2005, o Contos Negreiros. A crítica também disse, à época, para eu sepultar de vez os problemas sociais, digamos. Deixar meus personagens à míngua. Pobres coitados!

Sabe a história do camelo?

– Camelo? É o nome de algum crítico, é?

Presta atenção que eu te conto, mulher.

Sempre que eu lanço um livro, organizo um evento, ponho algo para caminhar, lembro do ensinamento do camelo. Explico: ele trilha, reto. Curvo, curvado, o animal. Centenas de quilômetros, no deserto. Pode vir tempestade de areia, podem vir bichos, bandidos. Ventos friorentos, o camelo está atento, concentrado, lá na frente. Porque ele sente. Pelo cheiro, pelo peso, pelo ar. Lá adiante é que está o oásis, a água de que ele precisa. Por mais contratempo, o camelo não perde o rumo, não desiste do paraíso líquido que só ele avista. Entende?

– Entendo, bonito o exemplo, é, mas escuta só esta: este crítico fala que você, ah, já está se repetindo.

Mas esse texto, Suzana, Meu Cristo, o crítico escreveu para o livro que eu vou lançar só no ano de 2025.

– Vai ver ele está vendo distante, longe, é, a longo prazo.

Suzana não perde a piada. Ela é mesmo uma peste, é.

Melhor eu continuar camelando assim, na minha, bem calado.

E com muita fé.

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HOMOS

Hoje, às vésperas de mais uma Parada Gay em São Paulo, que acontece no domingo, resolvi prestar duas homenagens, abaixo. A primeira, uma foto minha, recente e inédita, em ensaio de espetáculo literoteatral dirigido por Antonio Vanfill e Leandro Goddinho – estreia em breve, acredite. E, a segunda homenagem, uma antiga animação chamada “Homo Erectus”, de Rodrigo Burdman, com texto meu e narração do ator Paulo Cesar Pereio. É só assistar. E, no mais, bom feriado. E até segunda e valeu e aquelabraço.

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UMA PUTA HISTÓRIA

– Como é que é aquela história das putas?

Suzana Serecé quer que eu reconte. Pois bem: hoje à noite, na Livraria da Vila da Fradique, o incansável Nelson de Oliveira (foto ao lado) lançará mais uma antologia geracional, a Zero Zero, pela Língua Geral.

A primeira das antologias do Nelson, a Geração 90 – Manuscritos de Computador, de 2001, começou com as putas.

– Que ligação tinha mesmo uma coisa com a outra, é?

No ano 2000, veio me visitar um poeta português que eu havia conhecido via internet. Ele, o hoje festejado (também romancista) valter hugo mae.

mae (que se escreve assim mesmo) será uma das estrelas da FLIP deste ano.

Na época, eu, Nelson, Evandro Affonso Ferreira nos reuníamos em um café, na Vila. Levei o mae para o café.

Conversa vai, conversa vem, de lá saímos decididos: organizar uma antologia, intitulada Putas, reunindo novos autores brasileiros e portugueses.

Aqui, o livro sairia pela Boitempo. Em Portugal, pela Quasi Edições, em que mae era um dos editores.

Mas aí o mae sumiu. Como a Boitempo estava interessada no projeto, ele foi remodelado pelo Nelson, criando a já clássica Geração 90.

– E as putas?

Um tempo depois, o mae reapareceu.

E eu e ele, juntos, organizamos finalmente a antologia Putas. Isso no ano de 2003 (veja capa ao lado).

No ano retrasado, estive em Lisboa. A antologia continua sendo vendida por lá.

Conheci alguns autores portugueses por causa dela.

Nunca mais vi valter hugo mae. Só um contato aqui e ali, via e-mail, via telefone.

Lá em Lisboa, vi uma grande foto do mae (abaixo), como um dos mais importantes autores de sua Geração.

Quase que ele pinta, primeiro, na Geração do Nelson.

Que coisa!

Várias vezes tentei trazer o mae para a Balada Literária.

Não deu certo.

Reencontrarei com ele, ao que tudo indica, em Paraty.

Ontem mesmo recebi, da Cosac Naify, o novo romance do mae.

O belíssimo A Máquina de Fazer Espanhóis.

mae também virá a São Paulo.

Depois darei mais detalhes sobre isto.

– Que puta história essa, não é?

Parece mentira, minha querida Suzana Serecé.

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TODAS AS FORMAS DE AMOR

Como é bonito amar!

O amor está no ar.

Oh! Parece novela.

Mas falo de meu livro de contos, como você bem sabe.

Pois bem: o Amar É Crime, antes de seu lançamento físico, já está no mundo.

Porra!

Explico: este meu novo amor já está à venda, em formato e-book, na Amazon e na Gato Sabido (veja aí, na foto que a amiga Fernanda Grigolin tirou e me mandou).

Quer comprar?

Clique na Amazon, aqui, ou bem aqui, na Gato.

Ou ainda: vá à Loja da Edith, onde o livro em papel já espera pelo seu pedido.

Em breve, é claro, também em livrarias e bancas de revista.

Maravilha!

Só lembrando que a primeira noite de autógrafos será no Sarau da Cooperifa, no dia 13 de julho.

No dia 14 de julho, lançarei no b_arco.

Enfim, assado.

Aproveito para avisar que hoje, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, a amiga Lorena Martins faz sua estreia.

Autografa o livro de poemas Água para Viagem.

Hoje idem, na loja de Ronaldo Fraga, Cris Lisboa lança o Nunca Fui a Garota Papo Firme que o Roberto Falou.

E amanhã é a vez da antologia do Nelson de Oliveira, a Geração Zero Zero.

Mas depois eu dou mais detalhes disto.

Ufa!

Que dia agitado!

Valeu pela atenção, amiga, amigo.

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FOTOBIOGRAFIA VI

1988, por Carla Asfora

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