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Archive for abril \08\+00:00 2013

O jornal O Estado de S. Paulo resolveu acabar com o caderno Sabático, de literatura, que “ainda” é publicado aos sábados.

Tem rolado um abaixo-assinado nas redes sociais – para que o Estadão pense melhor (para participar e divulgar a petição, clique aqui em cima).

E eu fique pensando…

Recentemente, o mesmo jornal alardeou a criação do suplemento Jornal do Carro. Para uma imprensa consciente, ao que parece, então, carro é mais importante do que livro, sei não.

Entendo, no entanto: um caderno dedicado apenas à literatura não traz anunciantes. Nem ofertas de veículos novos e velhos, de compra de automóveis a 140 prestações.

Acabei, assim, calculando que o governo poderia ajudar nisto. Sabe como? Pagando anúncios no caderno Sabático. Por exemplo: de incentivo à leitura. E até de incentivo ao uso do álcool. Digo: propaganda de combustível 100% nacional – para os carros.

Por um outro lado, as concessionárias deveriam dar idem uma forcinha. Elas, que tanto querem vender os seus modelos, por que não vendem a ideia de que um leitor bem informado é um cidadão melhor na direção? Respeita ciclistas, pedestres, semáforos…

Eta danado!

Outra solução, por fim: criar uns Classificados só para poetas, prosadores, revisores e editores, a serem veiculados no Sabático.

Ou, a cada anúncio publicado por um garoto de programa, nos Classificados tradicionais, o jornal fizesse uma promoção: ganhe 50% de desconto se publicar esse mesmo anúncio ao lado de uma resenha sobre literatura contemporânea brasileira.

Garanto que os garotos (e garotas) seriam sensíveis e ajudariam nesta, com certeza. Até eu ajudaria. Explico: eu seria uns dos que anunciariam nesses Classificados. Não o meu corpinho, é claro. Mas o meu próximo livro – que agora periga ficar sem resenha, que merda!

Aliás, acho que eu ajudei O Estado de S. Paulo uma vez. Eu me lembro: na época em que o jornal disse que não me queria mais como microcolunista (fiz uma microcarreira por lá), alegou falta de dinheiro e eu aceitei a desculpa.

Não foi pressão do governo, nem pressão interna, agora está mais do que provado.

Se tivesse sido pressão política, o jornal não estaria nesta situação – Estadão e governo do estado sempre tiveram uma boa relação. Pressão interna, creio que não foi. Lá dentro da redação o pessoal gosta de ler. Pelo mesmo é o que espero.

O remédio, por enquanto, é pagar para ver.

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MARQUES E MARCELINO

Ivan

Hoje, quarta, eu estarei em Salvador, onde coordenarei uma oficina de criação e participarei, à noite, da edição especial de um Sarau Bem Black e, na sexta, no Teatro Solar Boa Vista, estarei ao lado do grande cantor Aloísio Menezes e do músico Jorjão Bafafé. Você pode conferir tudo isto no folheto abaixo e, é claro, não deixe de aparecer. E, por favor, quem estiver em São Paulo, prestigie o lançamento do meu querido amigo Ivan Marques. Saiba mais sobre isto no folheto acima. Sucesso aí, Ivan. Mandarei abraços e energias para você direto da Bahia e salve, salve, valeu e maravilha.

CantosNegreiros

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LILA E ALICE

Eu estava na semana passada no Rio de Janeiro. No dia do lançamento do segundo livro de Alice Sant’Anna. Havia combinado de dar uma passada por lá. Gosto da poesia da jovem Alice, carioca, nascida em 1988. Poesia leve, sem estridência, sem delongas. É suave, porém denso, o peso do seu Rabo de Baleia, publicado pela Cosac Naify. Mas aí choveu. Atrasei e não deu para eu ir à sessão de autógrafos. Porque eu já tinha um horário marcado com outros amigos. Entre eles, Suzana Vargas. Naquela mesma noite, Suzana me presenteou com o livro As Maçãs de Antes, de Lila Maia. Essa, nascida em 1955, maranhense radicada no Rio. O livro dela acabou de ganhar o Prêmio Paraná de Literatura. Aí vim, no avião, acompanhada da poesia das duas. De gerações diferentes, mas com uma pegada igual. A palavra limpa. De um voo intenso e natural. Os desenhos que ambas fazem. Das relações, dos corações, dos lares. Ave nossa! Abaixo seguem duas amostras. E mais digo. Apenas aviso: fiquem atentos. Estamos, no Brasil, em um grande momento da poesia. Pelo menos lá no Rio já temos duas maravilhas! Salve, salve, saravá, amém e viva!

DE ALICE SANT’ANNA (trecho):

Um enorme rabo de baleia
cruzaria a sala neste momento
sem barulho algum o bicho
afundaria nas tábuas corridas
e sumiria sem que percebêssemos
no sofá a falta de assunto
o que eu queria mas não te conto

DE LILA MAIA:

AINDA É AMOR

O cheiro inteiro da noite nas paredes do quarto
Depois caminho pela casa
como se estivesse em todas as ruas

Este homem pesa sobre minhas pálpebras

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