Feeds:
Posts
Comentários

Archive for maio \28\UTC 2014

POEMINHA PARA VOCÊ

*

é para você este poema

não é para o mundo
para o coração da família
nenhuma poesia

nada para a esquina
sem a cidade no meio
do meu verso no peito

é para você este poema

não é para a literatura
não estará em livro escrito
e muito menos lido

é para você este poema

vem de longe de antigamente
vai depois de mim além
não é meu nem de ninguém

é para você este poema

*

Read Full Post »

MORRER SÓ PARA AGRADECER

*

Morrer só
para agradecer.

Ir ao inferno
descer
apagar os males do mundo
tocar fogo nas vestes
em meio ao povo
ir ao fundo do poço
sem fundo.

Morrer só
para agradecer.

Passar fome
e lembrar do sertão
distante
ressuscitar minha mãe
ofegante
depois de caminhar
sobre as brasas do sonho
meu pai depois do banho
limpo de sal
sem peso
sem medo
longe de qualquer mal.

Morrer só
para agradecer.

Perder tudo
o que ganhei
na queda de braço
na força desigual
se por acaso
machuquei o destino
de alguém
não sei
as pontes que construí
sobre casas alheias
onde havia feiras
de passarinhos
as asas que sem querer
cortei.

Morrer só
para agradecer.

O tempo
todo o esquecimento
a casa vazia
no meu peito
o mendigo no farol vermelho
da cidade
o olhar que lancei
do alto de meu sapato
o sol que não iluminei
fui eu que pisei
na grama da praça
na lama de meu país.

Morrer só
para agradecer.

E aí.

Depois de uns dias
encontrarão o meu corpo
sob a luz de um abajur
o livro caído
dentro das linhas
da mão
logo dirão que eu fui
dos homens o mais feliz
meu exemplo
tomará o céu
de outro azul
verão
que a morte
é o nosso último
agradecimento.

Na hora inglória
da morte
deixar de nós
para os outros
os laços todos
só o que valeu
a pena.

Esta paz
este pó
e por que não dizer
este poema.

*

[ Mais um poema, este escrito por mim,
de improviso, em Porto Alegre, e lido
na abertura da FestiPoa, na segunda-feira
passada, para agradecer a homenagem
que recebi e valeu e beijos e aquele
superabraço feliz e emocionado ]

Read Full Post »

POEMINHA DE AGRADECIMENTO

Meu coração está vazio
e será pouco,
bate não bate,
velho, rouco,
não servirá para dizer
tudo o que eu estou
sentindo agora.

Minha alma já foi embora
faz tempo,
saiu, assim, de bagagem na mão,
levando o meu corpo,
ela também haverá de ser
pouco para falar,
de nada saberá, infelizmente.

Minha mente, meus sentidos,
minha memória eu perderia,
doaria o meu sangue ao mundo,
se este valesse uma vida
para agradecer,
por tudo o que a escrita me deu,
hoje, eternamente, até morrer.

[ Poeminha para Fernando Ramos
e todos que fazem a FestiPoa,
evento que, na sua sétima edição,
me escolheu como homenageado.
Eta danado! A vocês, minha emoção,
comoção e aquele abraço ]

Read Full Post »

DA PÁ VIRADA

Amanhã, sábado, a partir das 18 horas, no Centro Cultural b_arco, resolvemos fazer uma Virada só nossa. Uma Virada Literária e Solidária. Eu adoraria listar um a um todos os convidados (flyer abaixo). Mas, pelo correr da hora, fica impossível. O jeito é você aparecer e festejar com a gente. Não deixe, inclusive, de trazer roupas de adultos, em bom estado, para a gente doar aos haitianos que estão em São Paulo. E traga idem seu poema no bolso. O microfone estará aberto para quem quiser participar. E bora embora. E espalhe a boa nova. E abraços, salve, salve, amém e saravá!

10364208_1508640442692152_4984151918203528407_n

Read Full Post »

ASSUNTOS ACUMULADOS

10300105_1505050076384522_6836490265187682216_n

[1] Lá na viagem à Amazônia, perguntei sobre as árvores altíssimas, que furavam a mata em direção ao céu. Disse-me o guia: o que importa para elas é o sol. E os galhos, por que não têm? Porque precisam correr o mais rápido atrás da luz, certo? Elas não estão nem aí para galhos supérfluos.

[2] O comandante do navio morre de medo de avião. Meu céu, ele me falou, o céu que me interessa é este aqui, viu, que fica mergulhado, à noite, no espelho do rio.

[3] Por que nenhum jornal brasileiro cobriu, com o devido destaque e respeito, a invasão dos artistas da periferia de São Paulo à Feira do Livro de Buenos Aires? Foi uma verdadeira revolução. Inédita. Por lá, o movimento virou notícia em tudo que é mídia, em tudo que é imprensa que pensa e viva!

[4] Eu e o escritor Ferréz, ao final de nossa mesa à mesma Feira, simulamos que íamos ficar pelados. Para ver se só assim saía algo na Folha, no Estado de S. Paulo (acima, foto de nós dois, mudando de ideia, devidamente paramentados).

[5] Antonio Prata, que fez visita na semana passada à minha oficina de criação literária, respondeu à eterna dúvida. O que é um conto, o que é uma crônica? Quando a gente lê um conto, a gente se esquece quem é o autor. Na crônica, o autor está lá, assinando embaixo, não dá, assim, creio, para ignorá-lo.

[6] E a FIM, festa literária em que estive ontem, no Rio, é inovadora na mistura de temas legítimos como capoeira, patrimônio cultural, preservação da memória, feijoada, futebol e samba. Adorei ouvir os bambas.

[7] No comecinho do show “Cantos Negreiros”, na mesma FIM, em que divido o palco com a genial cantora Fabiana Cozza, após a leitura que eu fiz de um de meus contos, ai de mim, um senhor se levantou e me mandou solenemente tomar no cu. Ave nossa! Logo em seguida, outro jovem me deu uma folha de papel com um belo poema de presente. O resto foi emoção. À flor da pele de toda a gente.

[8] Na quinta-feira agora voltarei ao Rio de Janeiro. Ao lado do amigo Santiago Nazarian, lançarei à mesma quinta o meu romance “Nossos Ossos”. Santiago, o seu “Biofobia”. Ambos publicados pela Editora Record. Esperamos as amigas e os amigos para um divertido bate-papo e autógrafos. Acontecerá às 19 horas na Livraria da Travessa de Botafogo.

[9] No mais, para terminar, beijossos no umbigo de todos. E até os próximos passos e assuntos. Vamos que vamos. Sempre além e sempre juntos.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: