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Archive for abril \30\+00:00 2020

ESCREVER É OSSO

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ENSAIOS DE IMPROVISO

LAGARTIXAS, TARTARUGAS E DINOSSAUROS

O problema é do passado. Mesmo a gente estando, por esses tempos, nostálgico. Amando o que ficou para trás. Digo aqui, na verdade, sobre demais vícios de outrora que vêm e colam na nossa literatura. Ficam no nosso ouvido ginasial. Não como estilo, mas por preguiça mental. Por exemplo: eu me recuso a ser um “transeunte” em pleno século XXI. Embora os carros e as motocicletas, como na época de nossos bisavós, não estejam hoje mais nas ruas. Ave nossa! Compreendam, por favor, a minha antiga revolta. Não me olhem agora “de soslaio”. Muito menos não venham para cima de mim “franzir o cenho”. Juro que sairei correndo. E não é possível que, no ano pandêmico de 2020, a gente continue balançando a cabeça afirmativamente e negativamente. Feito as lagartixas de nossos quintais. Isso quando não colocamos nossos modernos personagens para “assentir com a cabeça”. Ora, não são as pré-históricas tartarugas que fazem isto? Colocam a cabecinha a sentir como está o nosso presente lá fora? Eta danado! Isto está ficando pornographico (paro para fazer, explicitamente, uma homenagem à escrita contemporânea do poeta Glauco Mattoso). Sem delongas, ouso dizer que o uso em excesso do pretérito-mais-que perfeito e de conjunções e pronomes também vem desse tempo dos dinossauros. Perdão pela implicância. Acho que eu estou ficando ultrapassado. Depois, quem sabe amanhã, eu volto com assuntos menos datados. Fui.

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PARA PENSAR ANDANDO

Nesta quarentena, andei subindo e descendo escadas com o escritor argentino Abelardo Castillo. Autor, entre outros, do livro de contos “Las Otras Puertas”. Aqui, três pequenas anotações do livro “Ser Escritor”, publicado pela editora Seix Barral.

PENSANDO COM ABELARDO CASTILLO:

Nunca peça emprestado um bom livro.
Os bons livros você compra ou você rouba.

*

Não publique todas as besteiras que você escreve.
Sua viúva se encarregará disso.

*

Não tenha na sua biblioteca os livros que você próprio escreveu.
O lugar desses livros é na biblioteca dos outros.

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ENSAIOS DE IMPROVISO

PERGUNTINHAS LITERÁRIAS

Como fazer para começar a escrever? E reescrever? A literatura é mesmo assim demorada? É melhor escrever no quarto ou na sala? E se eu alugasse um apê? Tirasse um ano sabático? Uma casinha no mato ajudaria? O que responder à família quando perguntarem o que tô fazendo da minha vida? E o que eu tô fazendo é conto? É crônica? Qual a diferença entre poesia e poema? Você acha mesmo que vale a pena largar tudo? E o que eu escrevo tem alguma chance? É novela ou romance? E o que você acha da academia? Como ganhar um prêmio literário? Como conquistar a crítica? Você se incomodaria de escrever uma orelha para mim? Quem a gente chama para assinar o prefácio? E a questão da tradução? Que tal um livro bilíngue em português e alemão? E às feiras literárias como faço para chegar? Dá para ganhar um dinheirinho não dá? Como enviar os originais para uma editora? Você tem alguma editora para indicar? E gráfica? Posso eu mesmo fazer a minha própria capa? O que você acha de eu mesmo desenhar? Que tal lançar primeiramente um livro infantil? Quais escritores do Brasil você poderia destacar? Ler demais não é capaz de a gente se influenciar? Melhor registrar o que escrevi para ninguém me roubar não é? Existe literatura de homem? E literatura de mulher? Onde encontro seus livros para comprar? Você tem algum aí com desconto? Quando saber que o meu livro ficou pronto? Posso fazer só mais uma perguntinha para você? Isso é resposta que se dê?

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ESCREVER É OSSO

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PARA PENSAR ANDANDO

Inauguro, aqui, uma nova seção no meu blogue. Em que cito frases e leituras que têm me feito pensar. Parado não. Por que parar para pensar se a gente pode pensar andando? Fiquei matutando, subindo e descendo a escada de minha casa, com o escritor português Vergílio Ferreira, na releitura que estou fazendo do seu livro “Pensar” (Bertrand Editora). Eis três das minhas anotações-marcações abaixo. E beijabraços.


PENSANDO COM VERGÍLIO FERREIRA:

Ele: Ninguém em Portugal escreve como eu.
E o outro: Ainda bem.

*

– Quando é que arranca para escrever um livro?
– Quando atingir um ponto em que não seja eu a escrevê-lo, mas ele a mim.

*

Mas a tua estrela pode não estar no céu. Põe-na lá.



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RAPIDINHAS

[1] Algumas pessoas têm me perguntado, via e-mail eraodito@uol.com.br, por que é que eu não escrevo também aos sábados e domingos. Respondo: aqui, vai de segunda a sexta. Sábado e domingo é para descansar da quarentena.

[2] Hoje, terça, às 19 horas, a escritora Noemi Jaffe lança seu livro “O Que Ela Sussurra” via instagram da Livraria da Vila, em um papo mediado pelo parceiro Samuel Seibel. Acessem pelo seguinte endereço: @livrariadavila

[3] Resgatei esse encontro meu com o escritor Valter Hugo Mãe, quando da passagem dele por São Paulo no ano passado. O episódio faz parte do programa A2, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Para assistir, cliquem aqui em cima.

[4] Vão até amanhã, quarta, as inscrições para o curso on-line e gratuito “Dramaturgia Negra: a Palavra Viva”, ministrado no site do Itaú Cultural pela professora e dramaturga Dione Carlos. Para saber mais e já garantir uma vaga, acessem aqui.

[5] Nossas boas vibrações para a escritora, parceira e querida Socorro Acioli, autora do incrível “A Cabeça do Santo”, que acaba de anunciar em seu Facebook exame positivo para Covid-19. “Não negligenciem o isolamento, a situação é séria”, alerta ela em sua página. Força, amiga. Estamos do seu lado ainda mais. Cuidem-se. Fiquem em casa, etc. e tais.











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ESCREVER É OSSO

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ENSAIOS DE IMPROVISO

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

E agente? O que acha de eu contratar um agente? A pessoa não escreveu aquele conto, o primeiro capítulo do primeiro romance, não tem a voz literária afiada, mas já quer contratar um agente. Pergunta, inclusive, sobre um assessor de imprensa. Uma vez, em sala, uma pessoa veio querer saber sobre buffet. Qual o tipo de croquete ela servia na noite de autógrafos. Faz mesmo sucesso o patê de fígado? Juro que não é piada. Tem gente que quer o evento não quer escrever. Tem gente que quer publicar não quer escrever. Tem gente que quer escrever mas não quer ler. E os jornais, como fazer? Como faço para conseguir essa boquinha? Chegam a dizer: vejo que você viaja muito. Estou pensando em abandonar meu emprego e seguir esse roteiro. Tantas festas e feiras. O que você acha? Eu faço aquela cara de croquete velho. De azeitona vencida. Sugiro que a pessoa ligue para a Academia Brasileira de Letras. Eles lá, com certeza, têm uma lista de eventos, endereços de embaixadas pelo mundo. Podem até conseguir para você uma viagem para Frankfurt. É eu terminar de responder e a pessoa pergunta se eu não tenho um contato lá na ABL. Porque se eu ligar lá ninguém vai me respeitar. Você, com certeza, é amigo de algum imortal. Digo que sou amigo de muito autor marginal. Serve? A pessoa fica com o papel na mão esperando eu copiar o telefone de alguém. Eu passo o telefone, sim. De um escritor que já morreu. Quem sabe ele não atende? É imortal ou não é? Também é comum quererem saber sobre como, correndo, registrar uma obra. E se me roubarem? Como se um livro fosse um carro que a toda hora a gente fica, pela janela, conferindo se ele continua lá, estacionado. Para mim, toda obra é um patrimônio humano. Mas vá explicar isto. Canso o juízo. Digo que há um site da Biblioteca Nacional. Você pode fazer o registro via on-line. Hoje, é só colocar no Google que você encontra. E, se mesmo assim, roubarem o que eu escrevi? Agradeça. A Bíblia Sagrada é o livro mais roubado da humanidade, sabia? Cada ladrão fez seu próprio evangelho. No começo, era um só. Depois, foi aparecendo o resto. O que seria da nossa fé sem os ladrões? Ainda farei aqui um ensaio sobre a multiplicação dos pães.

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ENSAIOS DE IMPROVISO

O NASCIMENTO DO ESCRITOR

Aí, depois de ouvir o meu comentário, negativo ao conto que ele havia escrito, o participante da oficina soltou o latim. Ele, em sua casa, era dono de uma vasta biblioteca. Lia Homero, Machado, gregos e agregados. Conferia dicionários, falava fluentemente três línguas. Não era um escritor amador. Sabia muito bem o que havia colocado nas cinco páginas. Depois da longa defesa, esperou pela minha paupérrima justificativa. Pobre mortal que eu sou. Um coordenador, apenas, de cursos de escrita. Oficinas de literatura. Soltei aos poucos a fala, com a calma de uma traça. “Você está certo. Só errou aqui na assinatura. Em vez de seu nome, deveria vir o nome da sua biblioteca. Ela quem escreveu o conto, não você”. Qual palavra era dele, para valer? Escondido estava sob as capas grossas, pergaminhos, cânones com a morte ganha. Qual gramática verdadeiramente era a dele entre as gramáticas tantas? Qual verbo descobriu lá de dentro e, solidário, trouxe à luz? Onde estava a humanidade de seu personagem? O problema, amigo, é que este texto não é seu. Não é sua essa linguagem. É tudo o que eu tenho nesse momento, ele argumentou. E tirou da minha mão a cópia do texto. Sem problemas. Era só uma cópia. Ele reclamava ter perdido o que já não tinha. O autor, nele, ainda não havia nascido. Sequer, entre vastos livros, uma linhazinha.

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