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Archive for the ‘Textos’ Category

POEMINHA PARA A MULHER

*

a mulher a
letra
que batiza a
terra a
cidade a
selva a
pedra a
lua a
rua a
sorte a
morte a
vida
toda a
palavra
menos esta
o dia
de hoje
este dia é
macho é
masculino
termina depressa
logo é findo
não pode ser
o dono da
verdade
toda mulher
sendo ela a
própria
eternidade

*

 

 

 

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VIVA CAIO

A convite da Folha de S.Paulo, escrevi artigo sobre Caio Fernando Abreu para lembrar hoje, dia 25 de fevereiro, os 20 anos de sua morte (imagem abaixo). Salve e salve e viva e aquelabraço. Para conferir o artigo, clique aqui em cimaEm tempo: vale lembrar de que o escritor gaúcho é o homenageado da Balada Literária deste ano, que vai de 16 a 20 de novembro e bora embora e vamos que vamos.

caio

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PARA IEMANJÁ

Oferenda não é essa perna de sofá. Essa marca de pneu. Esse óleo, esse breu. Peixes entulhados, assassinados. Minha Rainha.

Não são oferenda essas latas e caixas. Esses restos de navio. Baleias encalhadas. Pinguins tupiniquins, mortos e afins. Minha Rainha.

Não fui eu quem lançou ao mar essas garrafas de Coca. Essas flores de bosta. Não mijei na tua praia. Juro que não fui eu. Minha Rainha.

Oferenda não são os crioulos da Guiné. Os negros de Cuba. Na luta, cruzando a nado. Caçados e fisgados. Náufragos. Minha Rainha.

Não são para o teu altar essas lanchas e iates. Esses transatlânticos. Submarinos de guerra. Ilhas de Ozônio. Minha Rainha.

Oferenda não é essa maré de merda. Esse tempo doente. Deriva e degelo. Neste dia dois de fevereiro. Peço perdão. Minha Rainha.

Se a minha esperança é um grão de sal. Espuma de sabão. Nenhuma terra à vista. Neste oceano de medo. Nada. Minha Rainha.

iemanja-1

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POEMINHA PARA SÃO PAULO

*

aqui morreu o meu pai
quando eu recebi a notícia
eu já morava na Vila Madalena
e dormi de luzes acesas esperando
o primeiro avião para o Recife

aqui morreu o meu irmão
quando eu recebi a notícia
eu estava em uma universidade
dando uma palestra sobre contos
sem saber como terminar a história

aqui morreu a minha mãe
quando eu recebi a notícia
eu voltava de uma apresentação
uma peça de teatro no centro
meu coração caído sob o viaduto

a cidade em que eu vivo
é a que me mata aos poucos
onde eu peço socorro
o relógio marcando todo dia
a hora da morte dos outros

depois de tudo vem o nascimento
porque são paulo não para
não está nem aí para o abandono
o funeral do esquecimento é aqui
onde mora o próprio tempo

*

 

 

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PALAVRAS DE GRATIDÃO

20141228_155005Por tudo o que de melhor aconteceu Meu Senhor de Oyó agradeço. Quem viu a luta que foi o ano que termina. Iluminado. Pai justiceiro e dos incautos. Agradeço.

Pelas paisagens outras. Inauguradas. Agradeço. Pelos sinceros amigos ao meu lado. Parceiros de fé. Em minha companhia. Protetor da harmonia. Agradeço.

Pela saúde. Teimosia. Essa vontade de subir do chão. Kaô Cabecile do Trovão. Dar terreno à imaginação. Realizar. Sem preguiça. Com determinação. Agradeço.

Kaô Cabecile da Justiça. Pelos ensinamentos. Acontecimentos. Pelo eterna paixão com que fazemos o mundo acontecer. Kaô Cabecile. Meu Pai Xangô. Agradeço.

Continue me dando forças para continuar. Lutando e progredindo. Conquistando com humildade. O que tenho para conquistar. A colheita verdadeira. Deste futuro.

Morador no alto da pedreira. Dono de nossos destinos. Agradeço. E peço vossa luz e proteção. Livrai-me da escuridão. De todos os males. Livrai-me. De todos os inimigos visíveis e invisíveis. Hoje e sempre.

Salve! Salve!

Agradeço sempiternamente pelo ano que se vai. Kaô Meu Pai. Senhor de Oyó. Faremos do novo ano um ano melhor. Cheio de boas palavras. Meu Pai Xangô.

Agradeço e desejo a todos um 2016 cheio de justiça.

De luz, de paz e de amor.

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DILMA RESPONDE CARTA DE TEMER

Reproduzo aqui, em meu blogue, logo abaixo, carta que acabei de receber, via rede social, da Presidenta Dilma para o seu Vice Michel Temer. Vale a pena ler e espalhar. Rarará. E salve e salve e vamos que vamos e vade retro, Satanás, e saravá!

Brasília, 8 de dezembro de 2015.

Caro Michel,

[Nil opus est te / Mundus magna fortuna manet / verno dare dicens nonne respondebis Abner / pulchra flores vidi in aestatem bellum. Pecto super mensam / ludius venatus novit regula / lacte lapidem numquid ignoro equidem tibi abstuli / Just videre risus enim me clamare Discedentemque te / et nocendi provocavit furore meo / Ego autem et natus inter conopeum et mancambira / tu quis es qui confertis mungunzá mea?]

[Eu não preciso de você/ O mundo é grande e o destino te espera/ Não é você que vai me dar na primavera/ As flores lindas que eu sonhei no meu verão/ […] Cartas na mesa/ O jogador conhece o jogo pela regra/ Não sabes tu eu já tirei leite de pedra/ Só pra te ver sorrir, pra mim não chorar/ Você foi longe/ E machucando provocou a minha ira/ Só que eu nasci entre o velame e a macambira/ Quem é você pra derramar meu mungunzá?]

Escrevo essas mal traçadas linhas, meu amor, pra dizer que li tua cartinha, aqui, no Planalto, enquanto tomava café com pão, nada protocolar, vendo pela Vice-Globo (anda perdendo para a Record), Michel,  a mulher, fiel à N. Sra. da Conceição, lá no Recife, pedindo à Santa-Mãe-Democracia que não deixasse o golpe avançar.

Temer-meu-amor, acredita em democracia, cabra. Tu podes explicar àquela mulher ao pé da santa, isso de democracia e confiança? Não podes, piá, moleque, nenen, Temerzinho, tu que não acreditas em democracia, nem em Nossa Senhora, que aquela tua foto com o Papa nunca me enganou, por isso não podes imaginar o desespero daquela, ao pé da outra, talvez ambas santas.

E depois vens falar de lealdade como parágrafo de Constituição? Quem já viu? Lealdade é outra coisa: é inciso vergonha-na-cara, caput da puta-que-pariu, Temer.

E visse, vice, aqui, vizinho, Maduro cair de maduro? E sair de cena? Não ficou de mimimi, como teus amiguinhos, que caem de podres, na tua república de choramingões, onde até nela tu és um subalterno vice, porque ninguém vence o Aécio em termos de derrota.

Mas recebi tua missiva, guri, como diria a Salomé, de Chico Anísio, pro general da ocasião, e me senti a mamãe Noel lendo as cartas que chegam para o bom-velhinho do shopping. Tua cartinha de menino mimado e mal-comportado. Tua cartinha pé-de-meia. Pé-de-moleque, pede cargo, pidão, como sempre.

Vou guardá-la na mesma Caixa de Pandora, aquela que investiga o Mensalão do DEM(o), naquela saudosa tarde onde tu e o Durval [que câmera eficiente se fabricam hoje, hein?] conversavam sobre os destinos do Distrito Federal. Estadual. Municipal. Intestinal. Sei, sou péssima em indiretas. Sempre fui a favor das Diretas, ai, ai, olha eu aqui me enrolando de novo com meus improvisos.

Não divulgarei esta minha carta, Tumorzinho, mas que fique entre nós: tu és um choramingão, visse? Um babaca como nunca se ouviu falar antes na história deste país.

Sei: me expresso mal. Não sei falar bonito como o Ciro [gente, como se ressuscita tanta gente, gente?]… Sei: gaguejo quando não devo, e como não devo nada senão ajudar à N. Sra. da Conceição, nesse seu dia 8 de dezembro, a cumprir o desejo daquela mulher e o destino democrático do Brasil, mesmo que sobre a cabeça os aviões, vou direto ao ponto:

— Seja homem, Michel. E lute como uma menina, rapá.

P.S.: Quem não deve não Temer.

 

 

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10 ANOS DE BALADA

É hoje, quarta, dia 18/11. Com show de Chico César, 20 horas, no Auditório Ibirapuera, com entrada franca, que começa a décima edição da Balada Literária. E a festa vai até domingo. Dezenas de artistas, entre eles Laerte, Xico Sá, Jards Macalé, Conceição Evaristo, Marcélia Cartaxo, Fabiana Cozza, Ignácio de Loyola Brandão e Baby do Brasil, homenageando a cineasta Suzana Amaral. Confira a programação completa clicando aqui em cima. E vamos que vamos. E salve e salve e abração. E viva!

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