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Só isso o que tenho para dizer hoje e sempre.

Aguardo vocês.

A Balada Literária começa quinta que vem, 10h.

Para assistir e para programação completa: aqui.

E salve e salve Geni Guimarães e até.



O ESCRITOR PREMIADO

Ele diz para mim que já ganhou centenas de concursos. Participa de tudo. Em casa, coleciona estatuetas e diplomas. Não entende por que, mesmo laureado, ele não consegue uma grande editora. Porra! Já fui testado e aprovado. Agora, por exemplo, estou entrando no mercado americano. Diz que vai primeiramente publicar por lá. O Brasil só valoriza quando alguém de fora valorizar, não é não? Olha para mim e ousa investigar: há algum segredo para alcançar um Jabuti? E para pescar um Oceanos, qual recomendação você me dá? A Biblioteca Nacional? O Prêmio São Paulo, SESC? E aquele lá de Cuba? Há até um tal de Príncipe das Astúrias, não há? Na lista, ainda inclui o Kindle. Até o Pulitzer. O Concurso Mundial da Academia de Letras de Caixa-Prego. Respira. Um dia, sério, para casa ainda trago um Nobel de Literatura. Mostra, agora com uma certa amargura, a foto das prateleiras cheias de troféus. Desde a época em que ele fazia redação no ginásio. No fundo, é pouco-caso. Inveja, é isso. Respira de novo. E espera que eu fale algo. Um incentivo qualquer, mínimo, para alguém já tão galardoado. Penso em contar para ele o caso de um escritor ressentido. Rancoroso. Vivia andando com as medalhas penduradas no pescoço. Por onde passava, era duro ouvir, a toda hora, ele abrir páginas e páginas de glórias. Em palestras, pelos salões, passava sempre a limpo as suas condecorações. Anos depois, foi encontrado morto, só o osso, afundado entre papeis amarelos e cordões falsos de ouro. Enferrujados. Exemplares exemplares, abarrotados pela área de serviço. Nenhum poema dele escolhido pelo povo. Nenhum verso solto no ar. Pensei. Mas deixa estar. Resolvi não falar. Nem adiantaria. Ele outra vez respira e rapidamente retoma a trilha do sucesso. Vão continuar fazendo de conta que não me enxergam? Quem eles pensam que são? Um bando de cegos é que são. Viu? Cegos.

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MONSTRANS

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Está rolando a “Mostra Todos os Gêneros”.

Acontece no Itaú Cultural (linque aqui).

Lino Arruda é um dos que participam.

Ele é pesquisador, professor e quadrinista transmasculino.

E é gênio.

Tive o primeiro contato com a obra dele quando participei da comissão do Rumos Itaú Cultural. A aprovação do projeto “Monstrans” foi unânime.

Monstrans: experimentando horrormônios é uma publicação autobiográfica em quadrinhos (imagem acima), ficcionalizando experiências pessoais, tecendo pontes entre deficiência, lesbianidade e transmasculinidade. 

Fiquei chapado.

Na abertura da Mostra, participamos juntos de uma mesa (ao lado de Airan Albino e Thiago Rosenberg).

Para assistir à mesa, cliquem aqui em cima.

E também participamos de um livro digital feito especialmente para a Mostra. Lá, no livro, há um conto meu inédito.

Aqui vocês leem o livro.

Ave nossa!

Está simplesmente magnífica toda a Mostra. São peças de teatro, textos, shows, debates sobre “masculinidades”.

Dêem uma chegadinha. Tudo on-line.

E conheçam idem a página do Lino.

Vamos que vamos e salve e salve.

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Acima, poema inédito de Geni Guimarães, homenageada da Balada Literária 2020.

Hoje, 19 horas desta terça, tem mesa de encerramento da primeira parada do evento, que está acontecendo em Teresina.

Teremos a participação, à noite, do homenageado do Piauí, Douglas Machado. E a participação da atriz Zezé Motta. Mediação do parceiro e curador e escritor e professor Wellington Soares.

Fiquem ligados e ligadas.

Mais detalhes, espalhem e acessem aqui o site.

Beijos, viva Geni e salve e salve.

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Eu escrevo aqui alguns ensaios, né?

Falo de poesia, autores, orelhas – e até puxo orelhas.

Você vem aqui porque, digamos, encontra um abraço meu. Um começo de conversa. Um diálogo.

Mas eu peço: hoje não.

Amanhã também não.

Troca, por favor, uma letra minha, uma linha, pela palavra viva de Geni Guimarães.

Hoje começou em Teresina, no Piauí, toda uma Balada Literária em homenagem a ela – poeta nascida em Barra Bonita.

Aí em cima é a Geni na mesa de abertura hoje pela manhã.

Se você não assistiu, acesse aqui.

Talvez, pelo fato de você vir aqui no blogue, conheça a Balada. Criada em 2006 e há catorze anos feita na maior batalha. Evento que não falhou um ano. E que em 2020 tem sua versão totalmente digital.

Desde 2017 começa no Piauí. E desde 2015 passa pela Bahia. De 3 a 7 de setembro a edição será em dupla com Salvador.

Você encontra programação e tudo o mais neste site.

Em resumo: o que estou falando é que vai escutar a Geni. Vai ler a Geni.

Venha me acompanhar em outro espaço de troca e discussão.

Lá continuará batendo meu coração. É uma questão, mais do que literária, política.

Espero por você e salve e salve e beijabração.

*

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Minha primeira vez em Teresina foi em 2012.

A convite de Wellington Soares, fui ao Salão do Livro do Piauí.

Wellington, na foto acima, é o primeiro à esquerda. É quem está de joelhos.

É porque ele tem muita fé. No ofício de escritor e de professor e de agitado cultural.

No Salão, cada atração era aberta por um músico. Wellington veio me dizer que o músico daquele dia ficou doente e não haveria música antes da minha fala.

E então por que você não convida algum coletivo da cidade? Eu gostaria de conhecer novos poetas. Quais artistas?

Aí ele combinou a participação da moçada da revista Acrobata. De uma vez conheci os maravilhosos Demétrios Galvão e Thiago E. Depois, veio Aristides Oliveira.

E não nos largamos mais.

Neste mesmo 2012, eles vieram para a Balada Literária de São Paulo. E continuaram vindo.

E sempre que eu vou a Teresina são os primeiros parceiros que eu abraço. E outros parceiros e parceiras que conheci por meio deste contato.

Em 2017, a Balada fez uma homenagem a Torquato Neto. E desde 2017 iniciamos o evento em Teresina.

Sempre com a força de Wellington, da Acrobata e de outros e outras artistas piauienses. Até homenagem recebi do Governo do Piauí.

Já é muita história para contar.

No ano passado, fizemos uma parceria com o FestiLuso e trouxemos juntos, com a ajuda do guerreiro Francisco Pellé (na foto, ao lado de Wellington), o escritor Valter Hugo Mãe (à direita).

Tudo para dizer que mais uma vez a Balada começará em Teresina. Segunda que vem e terça, receberemos um grande abraço virtual. Em uma versão on-line da festa, não menos vibrante, que iremos inaugurar.

O homenageado de lá é o cineasta Douglas Machado.

Em Salvador e São Paulo, começa dia 3 de setembro e vai até 7 de setembro. Na Bahia, celebraremos o cantor e compositor Juraci Tavares. A homenageada nacional é Geni Guimarães.

Daqui a pouco, aliás, 18h30 desta sexta, vai rolar uma pré-Balada, direto de Teresina, aqui neste linque.

Vamos todos e todas juntar forças.

E abraçar também Teresina que faz tempo que me abraça. E que nos abraça.

Salve e salve.

Esperamos por vocês em mais uma conjunta batalha.

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GRILO

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Você fica olhando a capa de um livro de João Antônio.

Aí outra vez, vem parar na sua mão um livro de António Lobo Antunes.

E você diz: um dia eu quero um artista assim fazendo arte em um livro meu.

Um desejo vindo comigo lá do Recife.

Eu posso, ainda, realizar esse sonho, é claro.

Rubem Grilo, gravurista, ilustrador, é um gênio brasileiro.

Prometi que ontem falaria dele aqui no blogue.

Mineiro de Pouso Alegre, nascido em 1946. É do mesmo time e do mesmo peso de artistas feito Goeldi, Grassmann, Iberê Camargo.

Vive atualmente no Rio de Janeiro.

Assombroso traço.

Bato o olho nas xilogravuras (geografias que conheço) e viajo.

Eta danado!

Vamos abraçar e celebrar os grandes artistas que temos.

Viva Grilo e salve e salve e aquelabraço.

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Comentei aqui, na segunda passada, sobre escrever e diagramar.

E hoje na minha live “Na Hora do Almoço” a conversa foi com o designer gráfico Rico Lins.

Para quem não assistiu, a conversa ficou lá gravada no meu Instagram.

Entre uma linha e outra de nossos assuntos, eu e Rico relembramos a genialidade do artista gráfico Eugenio Hirsch.

Com certeza, vocês o conhecem de livros que têm em casa. Clássicos que este artista, nascido na Áustria e falecido no Rio de Janeiro, transformou em capas históricas.

Salve e salve.

Eis exemplos de trabalhos feitos por ele – aí em cima e aí embaixo.

Na live, também falamos, de passagem, do gravurista e ilustrador mineiro Rubem Grilo. Esse vale um capítulo à parte.

É muita arte.

Fiquem ligados e ligadas e aguardem, em breve, as próximas imagens-postagens.

*

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Dos livros que eu vou comprando em feiras por aí. Quando a gente circulava por aí. Antes do vírus…

Na quarentena, tenho garimpado meus próprios livros nos corredores da casa.

Eis este: Sobre Pornô e Lesmas. Da portuguesa Fátima Vélez, com ilustrações de Powerpaola – a maravilhosa cartunista colombiana-equatoriana.

Ambas, um escândalo dos bons.

O livro, em português e espanhol, publicado pela DEEP Edições, são poemas-fábulas sobre (e também sob) a sexualidade dos animais.

De baratas a golfinhos e moscas.

E humanos caindo de boca e de patas.

Eis abaixo dois dos escritos. Procurem saber mais. Pura natureza e salve e salve e beijos no umbigo.

*

de primatas a parasitas intestinais: leões machos copulando num trio; gatos apaixonados pelo mesmo gato durante toda a sua vida; bisão-americano, símbolo de pessoas com dois espíritos; furão, o da ferocidade solitária; golfinho, pelo espiráculo até outros golfinhos; elefante, macho de maior idade com outros mais jovens; hiena malhada, um sistema urinário genital parecido com o pênis do macho; da girafa, o sexo nasal

esquecer que nós as coisas
dimensionais texturizadas
somos todas suscetíveis de fungos
que essa latência
faz de qualquer pó uma criatura

*



Aí ele chega com o livro na mão, já diagramado. O original que ele mesmo fez. Em Word. Imaginou umas fotografias. E essa letra, que tal? Animal, não é mesmo? Eu tenho um tio que faz uns desenhos a lápis de cor. Nanquim, carvão. Olha a cara desse camaleão. Não é tudo de bom? A foto o escritor já tem. Ao fundo, a grande biblioteca. O cabelo aprumado. A mão à beira do queixo. Pensando na posteridade, creio. A gente tem como apresentar nossas ideias para uma editora, não tem? Hein? Eu quero muito que saia como eu imaginei. Sim, não há dúvida. Quando chegamos à natureza de nosso livro, queremos formatá-lo o mais exato e vivo em nossa cabeça. Do começo ao fim. Eu digo para ele que eu sou também assim. Ao encontrar a temática de meu volume de contos, gosto de buscar referências fotográficas. Saio catando imagens. Pesquiso o que as palavras estão me pedindo. É um exercício válido. Mas daí é preciso ponderar. Ouvir. Diminuir o impulso mais maiúsculo. Dialogar. Em todo ofício há sempre um mestre que veio antes de você. No uso que fez dos realces gráficos. No estudo dos espaçamentos entre as linhas. Aquele artífice que soube “inscrever” no papel as letras artesanais. Desde os caracteres fundidos em chumbo. Conhecedor profundo de uma anatomia própria. Para colocar a sua poesia, concretamente, de pé. Dar corpo à sua prosa caótica. Pois é. Tem gente que passa uma vida inteira dedicada à editoração e estilo. Você, que está chegando agora ao mundo do livro, muita atenção. Compreensão e respeito. Moderação mínima ao meter-se no meio das tipografias. Ao inventar sombreados. Manuscritos e cores. Falo sobre isto com calma. Devolvo o material impresso. Ele me ouve. Antes de sair, puxa de dentro das páginas umas flores. Em branco e preto. Para cada texto uma imagem, o que acha? Pode ser até ruim o que eu escrevo. Mas meu tio leva jeito. Não leva jeito?

*

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