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Archive for fevereiro \28\UTC 2013

É O AMOR

amor-filme[1]

Saí ontem à tardinha de dentro do filme Amor (cartaz acima). Derrubado por ele. A falência múltipla dos órgãos. Caducos. E já passei por isto em casa. Sobretudo com o meu pai. Que tirava a roupa, débil, e corria para a rua. E a gente ia atrás do velho. Minha mãe não chegou a se despir em praça pública. Seria o fim para ela. Credo! Mas como eu ia dizendo… Fui saindo de dentro da sala de cinema. Pensando na casa. Na família. No trabalho que é sustentar um corpo morto. O peso da idade afundando tudo. Para o fundo do poço. Meu Cristo! E eis que avisto no meio do saguão um engarrafamento de crianças. Bem pequenas. Bebês e carrinhos e mamadeiras. E mamães em matinê. Sim: há um projeto de sessões em que as mães levam seus recém-nascidos. Para assistirem, juntinhos, a uma projeção. Não sei qual filme passava. Nem tenho sobre isto mais informação. No entanto, fiquei imaginando. A sala entulhada de fraldas. Um berro aqui, uma golfada acolá. Um bebê que dorme, outro que sorri. Aliás, era o que mais faziam os pais. As mães, as avós. No centro do acontecimento. Sorriam para as fotos da promoção. Da ação planejada, creio, para o bem-estar, ao que parece, da boa educação. Do lar. Do berço. É preciso começar cedo a envelhecer. Nossos bebês já estão indo ao cinema. Grandinhos, engatinhando para compreender, desde já, o que é o Amor. Isto que o diretor Michael Haneke tão bem filmou. Do começo ao fim. Que bonitinho! Coração. E muito cocô.

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NOSSO OSCAR BRASILEIRO

MaxII

Finalmente ontem, na entrega do Oscar, o Brasil foi o grande vencedor. Sim, o país que ganhou o maior número de estatuetas. Foram quatro ao todo. Explico: Ang Lee, ao receber o prêmio de Melhor Diretor, falou algo assim: “obrigado ao autor do livro, que deu origem ao filme, por ter escrito algo tão inspirador”. A história original, todo mundo sabe, foi na verdade o querido e saudoso Moacyr Scliar quem criou. Está em sua novela Max e os Felinos, publicada pela L&PM em 1981 (veja capa acima e livro autografado para mim abaixo). E roubada pelo espanhol, naturalizado Canadense, Yann Martel, no livro chamado A Vida de Pi, vencedor do Booker Prize em 2002. Quando, à época, foi descoberto o plágio, Martel confessou: “o que fiz foi melhorar a ideia que um mau escritor brasileiro conseguiu estragar”. Pode uma coisa dessas? Depois ele pediu desculpas ao Scliar, publicamente. E o autor gaúcho preferiu não entrar com processo. Bem ao estilo da generosidade e classe do Scliar. Quem o conheceu sabe do que eu estou falando. Onde estiver o nosso amigo agora, morto em 2011, saiba que todas as nossas honras são para ele, sempiternamente em nossa memória. E viva!

ScliarFoto

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MATANDO A FOME EM CUBA

mata-fome

Minha mãe fazia mata-fome. Uma espécie de versão mais mole dessa broa aí da foto acima. E ela fazia mata-fome quando não havia pão para a ceia. Ou quando ela queria, apenas, tomar um café. Uma merenda leve e fácil de fazer. Pois é. Só revi a mata-fome agora em minha viagem a Cuba. A de lá era mole igual a da minha mãe. Embora menor. Coisa fácil de fazer. E barato. Farinha de trigo, óleo e ovo. Acho. Não sei. E comi. E lembrei de Sertânia. Paulo Afonso, Recife. E das tardes em que a gente enchia a barriga de mata-fome. Comecei a minha palestra na Casa de las Américas, em Havana, contando essa história. Exaltei essa lembrança. A mata-fome, lá, se chama areba. E fiz festa. Solidária. Dividi, publicamente, essa nossa iguaria cubana e pernambucana. Meu Cristo! E as pessoas riram. E ficamos coirmãos, assim, donos da mesma receita pobre e poética. Ao fim de meu papo (ao meu lado participaram idem Carola Saavedra e Suzana Vargas), um jovem veio me dizer. Sabia que só quem come areba em Cuba são os estrangeiros? Como assim? É comida nobre, grã-fina, de hotel. Não é fácil encontrar óleo, ovo, farinha de trigo por aqui. Ave nossa! Comida de rico a mata-fome. Quem diria? Não enche o bucho dos cubanos aquilo que salvou um dia a minha vida.

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A BICHA OCA

bicha-oca[1]

Eu queria muito ser ator. Já disse isto em algumas entrevistas. Desisti quando descobri que tinha eu muito pudor para ser ator. Daí admiro quem sobe à cena desnudo. Digo: com a coragem toda à vista. Entregue ao corpo do personagem. Falo disto, hoje, porque o ator Rodolfo Lima é um desses casos. Se eu pudesse ser ator gostaria de ser ele. Em seu empenho. Desempenho surpreendente. Por exemplo: quando ele faz a peça Bicha Oca (acima, em foto de André Stéfano). O espetáculo trabalha com os meus contos com temática homossexual. E eu vejo o Rodolfo “possuído” e parece que estou me vendo. Meus personagens ocos. Vazios. E descrentes. Meu Cristo! Quem viu a peça sabe do que falo. Sem contar que Rodolfo, faz tempo, também encarna os contos de Caio Fernando Abreu. Em interpretação igualmente visceral. Aproveitem e vejam. Vai até amanhã, sábado, a mostra do repertório deste grande ator. Em cartaz na Casa Contemporânea. Saibam mais sobre as peças e o local acessando aqui. E vale destacar idem que na peça Bicha Oca ainda há a revelação que é o ator baiano João Pedro Matos. Eta danado! Os dois, no palco, me dão saudade. Do teatro que eu sempre quis fazer e não fiz. Salve, salve!

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POEMINHA PARA O MAR DE CUBA

My beautiful picture

E eu voltei de Cuba tentando entender o azul do mar de Cuba infinito mar de Cuba agitado mar de Cuba que banha sempre quem passa por perto um banho ao certo de energia um arrastão uma ressaca uma onda em agonia feito sal de água rara a verdadeira poesia.

E eu passei duas semanas em Cuba tombado pelos casarões históricos pela alegria fugidia de seu povo pela beleza de suas ruas cariadas suas asas paradas no tempo como se eu vivesse finalmente longe da civilização que conhecemos dentro do esquecimento.

E eu ouvi os músicos de Cuba e a leve e reinante melancolia tocada pelas mãos munhecas negras de Bola de Nieve as palavras sonoras de Lezama Lima e de Alejo Carpentier a todo instante para valer em mim viviam em discreta velha e moribunda festa.

Descobri a voz triunfante do escritor Alberto Guerra a frágil beleza de uma poeta chamada Iracema e não sei por que não reconheço nos olhos da blogueira Yoani Sánchez salvo engano um sentimento sei lá que valha a pena tão feliz e realizada ela por estar fora de casa.

De seu coração ao que parece não cai uma lágrima pelo sonho da revolução essa que banha o mar de Cuba a todo tempo o infinito mar de Cuba o agitado mar de Cuba em sua profunda solidão.

[ Acima, foto tirada por mim.
Primeira imagem minha de Havana ]

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SÓ O PÓ

Carnaval acabado, eu estou Só o Pó. Digo: passei esses dias escrevendo, reescrevendo, lendo o meu primeiro romance, intitulado Só o Pó, a sair ainda este ano pela Editora Record. Ave nossa! Aproveito, inclusive, para falar, aqui, de minha entrevista dada a André Argolo, do site PublishNews. Uma das melhores que eu já dei, pode apostar. Estou tranquilo durante a conversa, sei lá. Falando pausadamente. E até lendo, interpretando para as câmeras, poeticamente, uma bula de remédio. Ave nossa! Que coisa mais Lexotan! Rarará. E atenção: na mesma entrevista, digo muito sobre o livro So o Pó. E até leio, em primeira mão, trecho do romance. Meu Cristo! Trecho assim que já andei mexendo. Mas tudo bem… Vale para dar uma olhada no tom. Em como está ficando a história e bora embora. Para conferir tudo e espalhar por aí, assista ao vídeo logo abaixo. E valeu e vamos que vamos. Que o ano só está começando, pois é. Aquele superabraço e salve, salve, saravá, amém e té.

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