20 centavos custou a Arena Pernambuco. 20 centavos a Arena da Amazônia. O novo estádio Mané Garrincha, em Brasília. 20 centavos o Castelão, em Fortaleza. Foi este o preço do novo Maracanã. 20 centavos também a Arena das Dunas, em Natal. O Itaquerão em São Paulo. Em Curitiba, 20 centavos foram gastos na Arena da Baixada. A Arena Fonte Nova, em Salvador, saiu por este mesmo valor. A Copa das Confederações ao governo custou: 20 centavos. É este o milionário salário do Neymar no Barcelona. Sei que ele não tem nada a ver com o rombo nos cofres públicos: 20 centavos nos últimos anos. Todo o orçamento da Copa do Mundo 2014: 20 centavos. Quanto vão custar as Olimpíadas: não mais que 20 centavos. Tudo neste país. As terras dos índios. Os juros. Os salários. O preço da passagem de ônibus: 20 centavos. Uma passeata. Uma rebelião. Uma luta armada. Só. 20 centavos. Por uma causa. E aí, meu irmão? Quem é que paga?
Namorar é
inaugurar um olhar.
Um jeito de estar
no mundo.
É quando o coração
vem morar
noutro planeta.
Namorar é
o mesmo que nascer
e respirar.
É deixar a sorte
acontecer
no fundo do peito.
Dar de comer
e de beber
ao sentimento.
Namorar é
muito melhor
do que amar.
Amar cansa
e amar é sofrer.
Namorar
não tem
nada a ver
com isto.
Desde criança
você sabe
e me ensina.
Tão bom quanto
beijar menino.
E beijar menina.
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Noto que estou ficando velho. Porque desaprendi a caminhar na rua. Fico tonto em meio à multidão. Enrosco e desenrosco. Estou parecendo um parafuso. Frouxo.
Noto que estou ficando velho. Porque agora eu sou mais pontual. Tenho acordado animado para tomar café com leite. Eu que nunca gostei de leite. E estou proibido de tomar café.
Noto que estou ficando velho. Porque tenho contado nos dedos o número de amigos. Verdadeiros. Alguns já estão morrendo. Tão cedo. Cedo.
Noto que estou ficando velho. Porque detesto grito de criança. E latido de cachorro. E nem tenho ouvido tanto grito e latido. Meu ouvido anda mouco.
Noto que estou ficando velho. Porque me deu na cabeça de fazer um jardim. Juro. Estou entendendo tudo sobre adubos. Flores. Vivo cheio de amores por um beija-flor.
Noto que estou ficando velho. Porque acabei de escrever um romance. Deixei os contos de lado. Os microcontos. Minha alma diz que cresci. Até que enfim. Maduro.
Noto que estou ficando velho. Porque não me olham do mesmo jeito. Quando eu passo. Havia algo em meu peito que chamava a atenção. Agora é só tosse. E solidão.
Noto que estou ficando velho. Porque hoje estou mais feliz. Garanto. Dono de meu tempo. Nem penso na morte. Estou ficando velho. Nesta vida. Eis a minha grande sorte.
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São eles aí em foto acima. Sérgio Vaz e Marco Pezão. Há um tempão que eu queria recebê-los para um bate-papo. Já fiz várias mesas com Sérgio. Vários com Pezão. Mas nunca assim, os dois juntos. Eles que criaram, há 12 anos, o Sarau da Cooperifa. Eles, grandes poetas. Donos de uma poesia que comunica. Do jeito que eu gosto. Sem delongas. Texto que grita, acolhe. Celebra, sofre, socorre. Autores, ambos, de versos, clássicos, que os leitores, pelos bares e saraus da periferia, repetem e propagam. Eta danado! Venha participar desse encontro. Acontecerá amanhã, sábado, às 18 horas, no Centro Cultural b_arco. Pezão, por incrível que pareça, ainda é inédito em livro. Sérgio, na ocasião, aproveitará para lançar a segunda edição do seu Colecionador de Pedras (imagem abaixo). Esperamos você para a festa e maravilha. Aquelabraço e até a vista. Fui. Como sempre vou. Com fé, teimosia e amor. Valeu!
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O primeiro jovem à esquerda, na foto acima, é o escritor Raimundo Carrero. Ele nos contou ontem, em rápido jantar, que já foi roqueiro. Fazia parte da banda Os Tártaros. Onde tocava saxofone. Disto eu já sabia. Do saxofone. Essa sua paixão antiga. Não sabia, no entanto, que Carrero foi amigo de Roberto Carlos. Antes do reinado do rei. Roberto ficava hospedado, na casa de Carrero, quando ia ao Recife. Cantar ao lado dos Tártaros. Viajavam juntos pelo interior de Pernambuco. Enfim, assado. Tudo isto, aqui, para dizer que será uma alegria receber Carrero, escritor, hoje à noite, a partir das 19h30, lá no Centro Cultural b_arco, em bate-papo, aberto ao público, mediado por mim e Claudiney Ferreira. Logo após, o mestre autografará o romance Tangolomango, publicado pela Editora Record. Apareça. E quem sabe, ainda, Carrero não nos dá uma canjinha?
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Amigos todos, viajarei hoje, quinta, mas deixo avisado desde já. Na quarta que vem, dia 5 de junho, às 19h30, no Centro Cultural b_arco, o querido mestre e amigo Raimundo Carrero virá participar de um bate-papo e lançar o romance Tangolomango (imagem acima), publicado pela Editora Record. Já prepare a sua agenda. E chame os amigos. O nosso querido Carrero merece o nosso sempre abraço, carinho e respeito. É isto. No mais, bom feriado para todos. E vamos que vamos. E bora embora. E até a volta. Fui, sem ir. E beijos.
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Marcelino Freire es un asqueroso. Un alma blanca en tierra de negros. Un tipo capaz de mostrarle al mundo toda su asquerosidad de mierda. ¡La vida social y la eterna lucha de clases en las grandes ciudades! Río de Janeiro y sus playas y todo su exotismo no es más que mucha mierda junta.
¡Marcelino Freire quiere ir a filmar como viven los ricos, ja! ¡Exige por el aumento del salario, ja! ¡Insiste con que los turistas gringos no deberían fifarse tantas negras y negros pobres!, “es verdad, Johan, no hay negras en la Conchinchina”, hay muchas en Brasil. Un alma de negro en tierra de blancos.
Un blanco escribiendo mejor que el mejor de los grones. Y esto no es un detalle menor. ¡Marcelino Freire es de los nuestros, un eterno desclasado! El estilo de Marcelino es fácil, directo y no está dispuesto a regalar nada. Leer Cuentos Negreros o negroides, o gronchos produce el mismo efecto que tomarse un trago de realidad demasiado amargo.
¡Que suerte que Marcelino Freire es un asqueroso de mierda porque ya tanta insistencia en que está todo bien en estas épocas izquierdistas me empieza a hinchar las bolas! ¡Qué suerte que existe Marcelino Freire y estos personajes horrendos, ridículos, zopencos de los cuales uno se empieza a enamorar y se hace la siguiente pregunta: ¿seremos así? ¡Y peores!
Por último, saludo en Vaniclélia a todas las mujeres latinoamericanas. Esto también se lo debo a Marcelino Freire.
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[ Apresentação feita pelo escritor Washington Cucurto
para a edição argentina do meu livro "Contos Negreiros",
traduzido por Lucía Tennina, a ser lançado no dia 26 de junho,
pela Santiago Arcos, no Malba, em Buenos Aires. Cucurto
é um dos principais autores contemporâneos argentinos,
conhecido também por ser ele o criador da Editora Eloisa Cartonera.
Fiquei todo feliz e orgulhoso e agradecido e maravilha e beleza! ]
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